Com a morte do Papa Francisco, a Igreja vai realizar um conclave a partir do próximo dia 7 de maio para definir o novo líder máximo da fé católica. Seis nomes despontam como favoritos — de liberais a conservadores e provenientes de diferentes continentes. Segundo o padre cearense Rafhael Maciel, pároco da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Montese, o próximo papa deve ser moderado e europeu. O líder religioso comentou o tema no podcast Questão de Opinião, do Opinião CE.
No conclave, participam 135 dos 252 membros que compõem o Colégio de Cardeais. Com dois já tendo anunciado que não votarão por motivo de saúde, o processo deve contar com 133 votantes. Apesar dos favoritos, todos os cardeais podem ser eleitos papa. Da totalidade do colégio, 80% foi nomeado por Francisco — o que, segundo Maciel, gera a expectativa de que o novo pontífice tenha proximidade com o argentino.
Ele frisou, no entanto, que não está descartada a escolha de um nome alinhado aos dois últimos papas: João Paulo II e Bento XVI — inclusive, entre cardeais indicados por eles. Como explicou, isso não significaria necessariamente a adoção do estilo do polonês ou do alemão.
“Mas acredito que, até pelo fato da história, do momento presente, [o próximo papa] teria uma certa proximidade com o viés franciscano do Papa Francisco”, afirmou.
O padre destacou que, mesmo que o sucessor adote um estilo diferente — como o uso de uma “veste litúrgica mais requintada” — isso não o tornaria mais “retrógrado” do que o argentino. “‘Porque o papa usava só a cruz simples, esse outro colocou uma dourada’. Ele tem direito de botar a cruz dourada. Isso não o faz pior nem melhor. O que mais vai importar é como ele estará com os seus fiéis”, completou.
Para Maciel, a expectativa por um papa europeu se justifica pelo fato de a Europa estar passando novamente por “todos os processos de evangelização”. Entre os mais cotados, figuram também um africano, o ganês Robert Sarah, e um asiático, o filipino Luis Antonio Gokim Tagle. Já entre os europeus, os mais mencionados são os italianos Matteo Maria Zuppi e Pietro Parolin, o francês Jean-Marc Aveline e o húngaro Péter Erdő.
EXPERIÊNCIA EM ROMA E BÊNÇÃO DO PAPA
Rafhael Maciel viveu por seis anos em Roma, onde cursou mestrado e doutorado em Sagrada Liturgia. Durante esse período, teve dois momentos marcantes de proximidade com o Papa Francisco.
Na capital italiana, passou a integrar um grupo de sacerdotes que auxiliam os mestres de cerimônia da Basílica de São Pedro — função que desempenhou por cinco anos. “Esse tipo de trabalho proporciona maior proximidade com quem está ali, principalmente com o Santo Padre”, comentou. No domingo de Páscoa de 2022, após a celebração, o Papa saudou individualmente os auxiliares. Na ocasião, a mãe de Maciel, Maria de Fátima, estava enferma. Ao ser recebido por Francisco, o padre pediu uma oração por ela. Para sua surpresa, o pontífice perguntou o nome da mãe. “Isso fez toda a diferença”, contou. Em seguida, o Papa lhe entregou um rosário branco e disse: “Diga que é da parte do Papa”.
Em outro momento, já com o falecimento da mãe, Rafhael escreveu ao pontífice, informando sobre a perda e dizendo que voltaria ao Brasil para acompanhar o pai no início da viuvez. Também mencionou que pretendia concluir o doutorado. Em resposta, recebeu uma carta assinada por Francisco com a seguinte mensagem: “Fico feliz porque você está cumprindo o quarto mandamento da Lei de Deus, de honrar pai e mãe. Cuide bem do seu pai. Segundo, não deixe de fazer o doutorado, termine”.
