Com a chegada de 2026, o grupo político que governa o Ceará chega a 19 anos no poder. Foram oito anos de Cid Gomes (PSB) e oito da gestão de Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (PSB). Até o fim deste ano, serão quatro de Elmano. Para tentar vencer o pleito, a oposição precisa enfrentar a máquina estadual e do Governo Federal, além de contornar indefinições internas do grupo.
No ano passado, o nome do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) surgiu como um possível candidato ao Executivo cearense. Depois de quatro tentativas frustradas de chegar à Presidência da República, o tucano pode concorrer ao Palácio da Abolição.
Dentro da oposição — ou oposições —, no entanto, há quem defenda também uma candidatura mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que seria do senador Eduardo Girão (Novo). O parlamentar já lançou sua pré-candidatura.
Mesmo com as indefinições, o cientista político Emanuel Freitas afirmou que a oposição, que já havia saído de 2024 fortalecida, conduziu parte do noticiário político no Ceará em 2025.
“Não teve nenhum movimento político do Governo. Teve movimento político da oposição, a aproximação do Ciro com o grupo bolsonarista sendo o mais importante”, afirmou.
Ele ressaltou que se passou quase um semestre inteiro discutindo o movimento da oposição, inclusive as brigas internas. “Tudo isso tomou conta do noticiário nos últimos seis meses”, disse, destacando que isso “chama a atenção da opinião pública”.
Dependência de Ciro
Na avaliação do especialista, “a oposição escolheu ser dependente do Ciro”. Emanuel destacou que políticos como a deputada estadual Dra. Silvana, líder do PL na Assembleia, já afirmaram que apenas uma candidatura do ex-ministro seria competitiva contra o Governo.
“Essa oposição escolheu ser refém do capital político do Ciro”, acrescentou, frisando que o grupo, “para prometer um futuro novo para o Ceará, recorre ao passado”, citando também o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB).
Conforme ele, essa situação ficou clara no lançamento da pré-candidatura de Girão, em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) chamou a atenção do deputado federal André Fernandes, presidente do PL Ceará, por ter apontado que o apoio do partido seria a Ciro.
Na ocasião, André afirmou, em coletiva após o evento, que Bolsonaro tinha dado aval para as negociações político-partidárias com os Ferreira Gomes.
“Quem está aqui é quem sabe o problema que o cearense enfrenta. Não aceito ver alguém de fora dizer que é precipitado ou estou dando passo errado. O próprio presidente Bolsonaro concorda com isso”, rebateu André, no dia.
Após o episódio, uma reunião no PL nacional definiu que o partido suspenderia as articulações com Ciro no Ceará, conforme informou o próprio deputado federal.
Eduardo Girão e a influência de Bolsonaro
De acordo com Emanuel, caso as duas principais candidaturas de oposição sejam mantidas, poderia ocorrer no Ceará algo semelhante ao que foi a eleição municipal de São Paulo em 2024.
Na ocasião, enquanto as lideranças bolsonaristas, ou o “bolsonarismo oficial”, estiveram na coligação do prefeito — e vitorioso do pleito — Ricardo Nunes (MDB), parte da base social bolsonarista inflou a candidatura do então candidato Pablo Marçal (PRTB).
“Você pode ter o bolsonarismo raiz, da base, com Girão, enfraquecendo um tanto quanto o resultado que viria a ser do Ciro, e lideranças, parte delas, com o Ciro, o que meio que não potencializaria a candidatura do Ciro no primeiro turno”, afirmou.
O cientista político completou que o pleito “não vai ter frase ou vídeo” de Bolsonaro, já que ele se encontra preso, mas apontou que o ex-presidente deve influenciar a eleição de modo indireto, por meio de lideranças políticas ligadas a ele, como o próprio André, Silvana e a vereadora de Fortaleza Priscila Costa.
No caso de duas candidaturas da oposição, na avaliação de Emanuel, deve haver uma disputa para dizer quem é o candidato real de Bolsonaro. Ele frisou, no entanto, que o peso do líder máximo do PL pode não ser considerável no Ceará, já que não possui boa avaliação junto ao eleitorado cearense.
