Fortaleza está modernizando a rede semafórica da cidade com a implantação do SCATS (Sydney Coordinated Adaptive Traffic System), sistema inteligente de controle de tráfego desenvolvido na Austrália. A tecnologia permite que os semáforos sejam ajustados automaticamente de acordo com o fluxo de veículos em tempo real, com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito e reduzir congestionamentos.
A nova plataforma substituirá gradualmente o SCOOT, sistema utilizado atualmente pela Capital há décadas e que, segundo a Prefeitura de Fortaleza, já não atende plenamente às necessidades de uma cidade em crescimento.
Como funciona o SCATS?
O sistema utiliza sensores e câmeras inteligentes para acompanhar o movimento dos veículos nas ruas. Os equipamentos identificam a quantidade de carros e o tamanho das filas nos cruzamentos, permitindo que a tecnologia faça ajustes nos tempos dos semáforos conforme a demanda.
Na prática, quando um determinado corredor apresenta maior fluxo de veículos, o sistema pode ampliar ou reduzir automaticamente o tempo do sinal verde. A tecnologia também conecta diferentes cruzamentos para coordenar os semáforos e criar as chamadas “ondas verdes”, permitindo que os veículos avancem por uma sequência de sinais sincronizados.
A expectativa é reduzir o tempo de espera nos semáforos e os congestionamentos. A tecnologia também pode contribuir para diminuir o consumo de combustível e a emissão de poluentes, além de permitir o monitoramento remoto da operação por centros de controle de trânsito.
Câmeras substituirão laços detectores
Uma das principais mudanças na modernização da rede será a substituição dos tradicionais laços detectores instalados no pavimento por câmeras inteligentes. Além de contar os veículos com maior precisão, os equipamentos poderão acompanhar continuamente os fluxos viários. As informações serão utilizadas pelo SCATS para realizar ajustes dinâmicos nos tempos dos semáforos.
Segundo o superintendente da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), Sérgio Costa, a atualização também deve melhorar a manutenção dos equipamentos e reduzir o tempo de resposta a ocorrências.
“A atualização tecnológica representa um avanço significativo na gestão da mobilidade urbana ao tornar o sistema semafórico mais eficiente, seguro e preparado para atender às demandas do tráfego e das pessoas”, afirma.
505 cruzamentos serão beneficiados
Fortaleza possui atualmente 1.098 cruzamentos semaforizados. Na primeira etapa da modernização, 505 cruzamentos serão beneficiados pela nova tecnologia.
O projeto prevê a instalação de 28 novos semáforos já integrados ao SCATS, enquanto outras 477 interseções existentes receberão a tecnologia. Com a conclusão das intervenções, a Prefeitura estima que 64% dos cruzamentos semaforizados da Capital passarão a operar com tecnologia inteligente.
Implantação começa pelo Montese
A modernização terá início pelo bairro Montese, incluindo importantes corredores viários, como as avenidas Gomes de Matos, Alberto Magno e Eduardo Girão.
Os trabalhos serão realizados de forma gradual e posteriormente chegarão a outras regiões de Fortaleza. A estratégia busca organizar a implantação da nova tecnologia e minimizar impactos na circulação de veículos e pedestres. A expectativa da Prefeitura é que a modernização torne os deslocamentos pela cidade mais rápidos e previsíveis, além de ampliar a capacidade de monitoramento do trânsito e melhorar a segurança viária.
Experiência em São Paulo
Uma experiência em São Paulo mostra como a tecnologia pode ajudar a melhorar a circulação em grandes cidades. Desde 2023, a Prefeitura implantou semáforos inteligentes em 1.677 cruzamentos, com investimento de R$ 725,5 milhões. Nas áreas atendidas, os índices de lentidão caíram 12,16%, enquanto a capacidade viária aumentou 5,72%.

A tecnologia permite que os semáforos ajustem automaticamente os tempos de abertura e fechamento de acordo com o fluxo de veículos. A meta da capital paulista é chegar a 2.583 cruzamentos inteligentes. Atualmente, outros 217 estão em fase final de implantação e 689 já tiveram os projetos executivos aprovados.
Os resultados variam conforme a região. Nas zonas Sudeste e Leste, por exemplo, a capacidade de circulação aumentou 12,05%, enquanto a lentidão caiu 26,04%. Em alguns corredores, os efeitos foram ainda mais expressivos. Na Avenida Indianópolis, na Zona Sul, a lentidão diminuiu 66,2%, mesmo com aumento de 5% no volume de veículos. Já na Avenida Paes de Barros, na Zona Leste, a redução chegou a 57,1%, acompanhada de crescimento de 16,7% no fluxo.
Outros corredores também registraram avanços, como a Rua dos Trilhos, com redução de 50% na lentidão; a Avenida dos Bandeirantes, onde os congestionamentos caíram 29%; e a Avenida Salim Farah Maluf, que apresentou redução de 22,6% nas filas e aumento de 5,9% no volume de veículos.
Em São Paulo, o sistema SCATS monitora o trânsito em tempo real e ajusta os ciclos dos semáforos conforme a demanda de cada cruzamento. A operação também é acompanhada por equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que podem intervir remotamente em situações como acidentes, manifestações, interdições ou falhas nos equipamentos.
