O Ceará vive um avanço consistente no seu ecossistema de inovação, e esse movimento já não se limita aos grandes centros urbanos. Em entrevista ao Opinião Tech, Michael Dhyani, Head de Inovação do Ninna Hub, destaca que governos e instituições públicas começaram a compreender que inovação não é tendência, mas necessidade estrutural para o desenvolvimento econômico e social do Estado.
“Prefeituras, Governo do Estado, Governo Federal… os órgãos públicos, de um modo geral, já entenderam que esse é o caminho”, afirma Dhyani. Para ele, a inovação deixou de ser um discurso e passou a ser política pública, especialmente quando o assunto é formação de jovens e criação de novas oportunidades em regiões fora da Capital.
A nova temporada do Opinião Tech tem o apoio institucional da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Ao longo de 8 episódios, o videocast aborda temas como mercado de trabalho e IA; cases de sucesso no Estado; e financiamento para inovação no Nordeste.
O interior também inova: programas ampliam acesso e apoiam jovens empreendedores
Um dos exemplos citados por Dhyani é o Corridas Digitais, programa que incentiva jovens talentos na construção de projetos, negócios e soluções tecnológicas. “Um jovem que está no Sertão, lá em Tauá, no Instituto Federal, consegue hoje ter apoio para desenvolver seu negócio”, ressalta.
Segundo ele, essa mudança é profunda e abre espaço para que estudantes não sejam preparados apenas para buscar emprego, mas também para criar empresas, desenvolver produtos e ocupar papéis estratégicos no mercado.
“A gente está conseguindo trazer outra realidade para esse jovem”, afirma. “Quando você prepara essa pessoa para ser empreendedora, a carga é gigantesca: ele precisa entender de tudo, e isso, aliado à academia, forma um profissional extremamente qualificado.”
Ceará ganha musculatura como polo de inovação
Para o head de inovação do Ninna Hub, o fortalecimento das políticas públicas, aliado à expansão dos hubs, aceleradoras, universidades e centros de pesquisa, coloca o Ceará na rota da transformação digital brasileira.
Essa articulação entre governo, iniciativa privada e academia tem impulsionado setores promissores como:
- tecnologia educacional;
- energia e sustentabilidade;
- biotecnologia;
- economia criativa;
- agritechs, especialmente no semiárido; e
- soluções para o setor público (govtechs).
O ciclo virtuoso se reforça à medida que esses programas levam conhecimento técnico, mentoria e trilhas de formação até regiões onde antes a inovação era algo distante.
Startups mais preparadas e profissionais mais completos
Dhyani destaca que, quando o jovem recebe apoio ainda na formação, o impacto não é apenas no desenvolvimento de startups, mas no nível de qualificação profissional que o Ceará começa a entregar ao mercado. “Um aluno que passa pela academia com estímulo ao empreendedorismo sai extremamente qualificado”, afirma.
Segundo ele, isso reduz gargalos históricos, como falta de mão de obra especializada, fuga de talentos e dificuldade das empresas locais em se digitalizar.
Estado se posiciona na linha de frente da transformação
Para o ecossistema cearense, a expansão desses programas significa algo mais profundo: democratizar a inovação. O Interior passa a participar de forma ativa da economia digital. “No fim das contas”, resume Dhyani, “inovação não é mais opção. É o que define quem vai crescer, e quem vai ficar para trás. E o Ceará está escolhendo o caminho certo.”
