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“O Nordeste está alinhado”: região lança plano inédito de desenvolvimento sustentável na COP30

O Nordeste brasileiro assumiu, nesta terça-feira (11), o protagonismo nas discussões globais sobre sustentabilidade. Durante a COP30, em Belém (PA), foi lançado oficialmente o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, um documento que reúne estratégias conjuntas dos nove estados da região para impulsionar o desenvolvimento verde, reduzir desigualdades e atrair investimentos em inovação e energia limpa.

O lançamento, liderado pelo Consórcio Nordeste, contou com a presença de governadores, secretários estaduais e representantes do Governo Federal. A proposta é consolidar o Nordeste como referência em transformação ecológica, com projetos voltados à transição energética, segurança hídrica, bioeconomia e infraestrutura sustentável.

O Consórcio articula ações conjuntas entre Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Representando o Ceará, a secretária do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Vilma Freire, destacou o papel estratégico do Estado dentro do Plano.

“O Nordeste faz o dever de casa ao apresentar essa cartela de possibilidades, de forma organizada e planejada. E o Ceará aparece em um espaço fundamental desse processo. Nós temos potencialidades que estão descritas no Plano. Agora, a palavra é financiamento. Sem isso, a gente não consegue andar”, afirmou.

A secretária do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Vilma Freire, representou o Ceará e destacou o papel estratégico do Estado dentro do Plano. Foto: Levy Dantas/Opinião CE

“O Nordeste tem a grande oportunidade de pegar essa onda da transformação ecológica e se tornar uma potência”, destacou Carina Vitral, assessora do Ministério da Fazenda, durante o evento.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, ressaltou que o Plano é resultado de uma ampla construção coletiva. “Não é pouca coisa estarmos em plena COP entregando esse trabalho. Isso mostra a sintonia do Nordeste com o Brasil, e por isso se chama Brasil Nordeste. Ele foi feito escutando a sociedade e em completa consonância com o plano nacional de transformação ecológica. O coração dessa transformação está no Nordeste”, afirmou.

Financiamento

Presidente do Consórcio Nordeste e governador do Piauí, Rafael Fonteles enfatizou o desafio do financiamento como ponto-chave para viabilizar as ações.

“Temos muitas similaridades nas nossas potencialidades e muitos desafios. O principal tema é o financiamento. Sem ele, não vamos desenvolver esse projeto. É fundamental que nenhum fundo desse País destine menos de 14% para o Nordeste. Deveria ser pelo menos 27%, que é o que representa a nossa população. É por isso que o Nordeste precisa falar mais grosso. Essa vai ser a nossa luta.”

O ministro do Planejamento e da Integração Regional, Waldez Góes, reforçou o compromisso do Governo Federal com as iniciativas regionais. “Sem planejamento, não é possível garantir recursos. Ter bons planos e capacidade na execução é decisivo. Quero parabenizar o Nordeste. Os eixos estão muito bem definidos. O potencial do Nordeste e da Amazônia não deixa a desejar a ninguém”, declarou.

Ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Foto: Opinião CE

Planejamento

O Plano Brasil Nordeste reúne projetos estruturantes nas áreas de energias renováveis, saneamento, mobilidade, agricultura sustentável e preservação ambiental. A iniciativa marca um passo decisivo na integração das políticas de desenvolvimento regional com os objetivos climáticos do Brasil e deve servir de referência para ações conjuntas com o setor privado e organismos internacionais.

No total, são 47 propostas e 324 ações prioritárias, elaboradas com a participação de 515 representantes em oficinas realizadas nos nove estados do Nordeste. O documento foi construído sob a coordenação do Consórcio Nordeste, com propostas que articulam o envolvimento de uma ampla diversidade de atores.

Nordeste chega unido na COP

O Plano Brasil Nordeste reúne diretrizes e projetos concretos para promover uma transformação ecológica com justiça social, reposicionando a região como protagonista da transição energética global. O documento, consultado pelo Opinião CE com exclusividade, foi construído de forma colaborativa, envolvendo governos estaduais, academia, setor produtivo, movimentos sociais e comunidades tradicionais.

O Plano está estruturado em seis eixos de atuação que traduzem as prioridades e desafios da transformação ecológica no Nordeste.

O primeiro eixo, Finanças Sustentáveis e Inclusivas, propõe a criação de um sistema financeiro e de governança que impulsione a transição ecológica na região. A ideia é integrar investimentos públicos e privados, garantindo segurança jurídica e inclusão social.

O segundo eixo trata do Adensamento Tecnológico, com foco em posicionar o Nordeste na economia global de baixo carbono. O plano prevê o fortalecimento das cadeias produtivas locais, o estímulo à inovação e a geração de empregos qualificados.

O eixo da Bioeconomia e dos Sistemas Agroalimentares Adaptados destaca a vocação natural da região para transformar sua sociobiodiversidade em fonte de prosperidade sustentável. As ações envolvem agroecologia, turismo comunitário, bioindústria e valorização da agricultura familiar.

Na Transição Energética, o plano busca consolidar o Nordeste como líder mundial em energia renovável justa e inclusiva. A proposta integra fontes solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde, convertendo o potencial energético regional em competitividade e geração de renda.

O eixo da Economia Circular e Solidária incentiva a inovação aliada à conservação ambiental. O objetivo é fortalecer cooperativas e arranjos produtivos locais, com foco em reciclagem, biodigestores, bioinsumos e tecnologias sociais voltadas para uma economia de baixo carbono.

Por fim, o eixo de Infraestrutura Verde-Azul e Adaptação Climática defende a criação de uma infraestrutura conectada à natureza. As ações priorizam soluções baseadas na natureza para água, saneamento, mobilidade e prevenção de desastres, promovendo resiliência climática e valorização territorial.