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13 de julho de 2024

O indivíduo e a escola na condição pós-moderna – coluna nº 82

“Mais um ataque numa escola, professor. Nos grupos dizem que vão acontecer aqui massacres nas escolas, em homenagem a Columbine”, disse-me a diarista assustada lendo no celular

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“Mais um ataque numa escola, professor. Nos grupos dizem que vão acontecer aqui massacres nas escolas, em homenagem a Columbine”, disse-me a diarista assustada lendo no celular. A nossa aproximação com os yankees, não é só econômica e política, mas também ideológica, no que tem de ruim na educação popular e na violência urbana. Na Columbine High School aconteceu o primeiro massacre numa escola estadunidense que chocou o mundo há 24 anos. À época, após muitas investigações, a polícia concluiu que os alunos 3º ano do ensino médio, Harris e Klebold teriam arquitetado o crime, estimulados pelo desejo de vingança, por não serem considerados populares e sofrerem bullying. Pasmem! Ainda hoje os assassinos de Columbine têm uma legião de fãs pelo mundo.

Pois é, esses alunos que não podem receber constrangimentos e não aceitam não, talvez sejam os que executam tais crimes por motivações fúteis e, de modo geral, frequentam colégios particulares, são socialmente mais privilegiados e, logo, ingressam na vida universitária. Interessante observar que – educadores, intelectuais especialistas, jornalistas não fazerem nenhuma reflexão desses atentados em escolas serem idealizados e executados somente por meninos e rapazes. Esses adolescentes, torna-se médicos, doutores, políticos e, alguns andam matando filhos espancados ou jogando pela janela de apartamento. Será que o erro é só da escola? Escolarizar é função da escola e educar das famílias.

Uma aluna de Pedagogia, desabafou: “Está difícil ser professora. Chego 6:30 na escola para receber os alunos. A maioria dos pais não dá nem bom dia! Uma mãe, professora, doutora da Universidade só reclama e ameaça o filho. Eles não têm tempo para os filhos”. A respeito, a diarista contou-me: “Na outra casa que eu trabalho, o menino de onze anos fica o dia todo com computador aberto e o celular ligado. Ele fecha, quando me aproximo. O pai disse que vai fiscalizar o que ele posta nas redes sociais”.

As famílias e escolas criam esses sujeitos pós-modernos?! Que sofrem com a desreferencialização do real, ou seja, “o que foi processado em bit (real) é difundido em blip – pontos, retalhos, fragmentos de informações para o sujeito”, como explicou profeticamente, Jair Ferreira em seu livro, “O que é pós-moderno” de 1986: “O indivíduo na condição pós-moderna é um sujeito blip, alguém submetido a um bombardeio maciço e aleatório e informações”. Erotizado dia a dia, isolado, em academias, em busca do prazer, com desejos de posse, do consumo personalizado, um mundo digital, vivenciando apenas o cotidiano, com relações frouxas a curto prazo.

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