O futuro vai pelo ralo

Confira coluna de Roberto Maciel.

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O fomento à pesquisa científica e tecnológica no Brasil perdeu R$ 83 bilhões entre 2014 e 2021. O dado é do Observatório do Conhecimento e foi apresentado na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. Esse intervalo de penúria, digamos assim, coincide com a efervescência do movimento de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff (PT), recheado de pautas-bomba armadas pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Também alcança o período mais violento da carnificina da covid-19. Impossível não mencionar: chega, ainda, às articulações para a eleição de Jair Bolsonaro ao Planalto, em 2018, completando dois terços do mandato do presidente da República.

Como nada é por acaso, deve-se notar que abriram-se com os cortes lacunas graves em temas como saúde, ensino superior, infraestrutura, desenvolvimento, competitividade e economia – só para citar aqui os mais óbvios, abarcando interesses públicos e privados. A questão, agora, não deve se ater unicamente ao que foi para o ralo, mas sobre o que se deve fazer para recuperar o que se perdeu.

Fé com dinheiro público

O vereador Jorge Pinheiro, bolsonarista, tucano e representante do pentecostalismo cristão, quer que o dinheiro público banque a construção de uma estátua de São Miguel Arcanjo no Parque Ecológico da Maraponga. O que Pinheiro diria se um parlamentar de matriz africana propusesse um monumento a Ogum?

Wagner e Girão

Está cada vez mais próxima a relação entre os bolsonaristas Wagner Sousa (União) e Eduardo Girão (Podemos). O deputado tem se derramado em paparicos ao senador, que vem buscando formas de ser enxergado pelo Planalto. O jogo tem se definido como vital para manter sobrevivendo, ainda que por aparelhos, os planos de poder da direita.

Bola-bate

Os times do Fortaleza e do Ceará estão entre os 20 maiores arrecadadores do futebol brasileiro. Essa seleção é liderada pelo Flamengo, o único a faturar mais de R$ 1 bilhão. O Leão do Pici entra no campo endinheirado com receita de R$ 175 milhões e é o 14º colocado. O Vozão soma R$ 159 milhões e é o 14º. A lista foi elaborada por uma empresa paulista, que analisou os mais recentes balanços dos clubes.

Fora do campo

Paralelamente, torcedores vêm dando espetáculos de solidariedade. As torcidas organizadas, mesmo sem apoio nem articulação dos clubes, têm feito campanhas internas para doação de sangue e medula óssea. Também estão realizando ações contra a fome, arrecadando gêneros alimentícios. Um exemplo e tanto que, se os cartolas observarem e seguirem, pode ser um golaço.

Dignidade

A Prefeitura de Fortaleza planeja investir R$ 4,3 milhões em serviços de exumação, remoção, acondicionamento e translado dos corpos nos cemitérios públicos da cidade. A empreitada compreende também a reforma e a recuperação de jazigos.

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