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No Ceará, ministro critica usina de dessalinização próxima a cabos submarinos na Praia do Futuro

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, do União Brasil, esteve no Ceará nesta segunda-feira, 25, e reforçou a tensão entre o setor de telecomunicações e Governo do Estado por conta da construção da usina de dessalinização de água na Praia do Futuro, em Fortaleza. Empresas da área tentam barrar a obra, alegando riscos aos cabos submarinos que transferem dados entre o Brasil e o mundo. Acompanhado dos deputados federais Fernanda Pessoa (União), Yury do Paredão (sem partido), Danilo Forte (União), Moses Rodrigues (União); além do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (União) -, o titular participou do seminário “Conexões Políticas: A importância dos cabos submarinos”.

“Quero falar desse assunto que fez com que a gente estivesse aqui, que é essa infraestrutura importante para todo o setor de telecomunicações do Brasil. Os cabos ópticos submarinos são responsáveis por 99% do tráfego de dados internacionais e pela conectividade global do nosso país. Isso nos traz uma preocupação para que a gente possa preservar e manter (a estrutura), de forma segura e estável, no nosso Ceará”, disse o ministro.

“Qualquer situação que gere impacto deve ser profundamente discutida, analisada e avaliada para que busquemos construir juntos, por meio do diálogo, o melhor caminho para a preservação desse hub internacional que é Fortaleza. Estaremos juntos, com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e com todas as entidades do setor, discutindo formas de construir um ambiente seguro, sem nenhum tipo de impacto nas infraestruturas.”

Segundo o ministro, há previsão de chegada de novos cabos nos próximos anos, mas, para isso, seria necessário “preservar e construir um ambiente seguro para que possamos avançar e garantir a segurança desse tráfego e desses cabos” em Fortaleza.

O evento foi organizado pela Anatel e pela TelComp, entidade que reúne operadoras de telecomunicação de menor porte. O encontro reuniu atores dos setores público e privado para discutir temas como o papel dos cabos submarinos no desenvolvimento sustentável e a proteção das estruturas. Conforme o ministro, chegam em Fortaleza 17 sistemas ópticos com capacidade agregada de centenas de terabits por segundo. “A Praia do Futuro representa o segundo hub internacional de cabos ópticos”, destacou. Os cabos submarinos ancorados na costa brasileira também viabilizam a interconexão de qualquer sistema de telecomunicações e internet da América Latina com os demais continentes do mundo.

EMBATE

Conforme reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta semana, o tema tem gerado embate entre o Governo do Estado, por meio da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), e o setor de comunicações. A Cagece diz que já alterou o projeto da usina de dessalinização para afastá-lo dos cabos e acusa as empresas de querer reservar para si a Praia do Futuro, onde a usina será instalada, em detrimento do abastecimento de água na capital cearense.

Com investimentos previstos em R$ 526 milhões, a usina começou a ser projetada em 2017 e está em fase de licenciamento ambiental. A expectativa é que o documento saia em outubro e que as obras sejam iniciadas já no primeiro trimestre de 2024.

A TelComp diz que as obras trazem risco à integridade dos cabos, mesmo a Cagece alegando ter alterado o projeto, afastando as estruturas de captação e descarte da usina de dessalinização para uma distância de 500 metros dos cabos. “Não dá para conviver com essa estrutura, mesmo que a construção seja 100% segura”, disse à Folha o presidente executivo da entidade, Luiz Henrique Barbosa.

A Cagece defende, por sua vez, que a maior distância dos cabos submarinos no novo projeto já é capaz de eliminar totalmente o risco das obras. “Eles precisam entender que a gente tem que conviver. Estamos em uma cidade e, além de internet, as cidades precisam de água.”