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Soberania, Palestina e plataformas digitais: Confira os destaques do discurso de Lula na ONU

O presidente foi o responsável por abrir a Assembleia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) realizou o discurso de abertura da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (23), em Nova Iorque. Dentre os assuntos comentados pelo chefe de Estado, estão a defesa à soberania, os ataques de Israel à Palestina, as políticas das plataformas digitais e lamentou as mortes do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e do Papa Francisco, que faleceram neste ano.

Lula foi seguido por Trump, segundo a discursar. O presidente dos EUA disse “gostar” do petista e afirmou que teve uma “química excelente” com ele.

O líder do país norte-americano disse que os dois combinaram de conversar na próxima semana. A conversa deve ter como pauta as retaliações que vêm sendo aplicadas pelos EUA ao Brasil devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem“, disse Trump.

DEFESA À SOBERANIA

Aos líderes mundiais, Lula falou publicamente sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e afirmou a “candidatos a autocratas” que a democracia e a soberania do Brasil são inegociáveis.

Apesar de não citá-lo, a fala é direcionada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros para exportação no último mês de agosto. Na carta que enviou ao Brasil, o chefe de Estado dos EUA citou o processo contra Bolsonaro, à época ainda em investigação.

“Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia”, disse, ressaltando que “não há justificativa para medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia”.

Além das sanções econômicas, Trump também impôs sanções individuais a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula afirmou ser inaceitável a “agressão contra a independência do Poder Judiciário”.

Ainda sobre o que citou como “interesse em assuntos internos” dos EUA no Brasil, o presidente falou sobre a existência de uma “extrema-direita subserviente” que auxilia Trump. “Falsos patriotas que arquitetam e promovem ações contra o Brasil”, disse.

Ao comentar a condenação de Bolsonaro, Lula disse que o País deu um recado a todos os candidatos a autocratas e aos que os apoiam: “Nossa democracia e soberania são inegociáveis”, afirmou.

O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), acompanharam o discurso de Lula. Eles disseram sentir “muito orgulho” em vê-lo abrir a Assembleia Geral da ONU.

PALESTINA

Como já era esperado, o presidente também comentou sobre os ataques de Israel à Palestina e aos palestinos, situação à qual chamou de genocídio.

De acordo com Lula, o direito internacional humanitário e o “mito da superioridade ética do Ocidente” estão sepultados junto às dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes sob toneladas de escombros na Faixa de Gaza.

“Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo”, disse, em referência aos vetos que os EUA têm dado contra as medidas que visam impedir os ataques de Israel.

O chefe de Estado brasileiro ressaltou que a fome e o deslocamento forçado de populações têm sido utilizados como arma de guerra e expressou admiração aos judeus que se opõem à posição de Benjamin Netanyahu.

PLATAFORMAS DIGITAIS

Outro assunto tratado pelo presidente brasileiro foi sobre as políticas das plataformas digitais. Conforme ele, apesar de as redes sociais promoverem a possibilidade de uma aproximação “como jamais havíamos imaginado”, elas tem sido utilizadas para “semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação”.

“A internet não pode ser terra sem lei. Cabe ao Poder Público proteger os mais vulneráveis. Regular não é restringir a liberdade de expressão, é garantir que o que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no ambiente digital“, afirmou.

Na segunda-feira (22), Lula já havia se reunido com o CEO do TikTok, Shou Zi Chew. Na conversa, os dois discutiram, além da possibilidade de investimentos da empresa no Brasil, como um Data Center no Ceará, sobre a regulação das redes sociais no País.

A Lei do combate à adultização de crianças na internet, sancionada na última semana pelo presidente, também foi pauta da reunião.

PEPE MUJICA E PAPA FRANCISCO

Ainda em seu discurso, Lula lamentou as mortes de Pepe Mujica e do Papa Francisco. Conforme o presidente, as “duas personalidades excepcionais (…) encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas“.

“Suas vidas se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU. Se ainda estivessem entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis”, disse.

Como completou o chefe do Estado brasileiro, os dois também comentariam, na ONU, “que os únicos derrotados são os que cruzam os braços” e que, “juntos, podemos vencer os falsos profetas de oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio“, completou.