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Na Cúpula do G7, Lula defende a volta do protagonismo da ONU na resolução de conflitos mundiais

Embora o Brasil não faça parte do grupo, o presidente Lula foi convidado para participar da sessão ampliada da Cúpula do G7 no Canadá. Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da república

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (17), durante intervenção na Sessão Ampliada da Cúpula do G7, o retorno do protagonismo da Organização das Nações Unidas (ONU) na resolução de conflitos mundiais. Segundo ele, o vácuo de liderança agrava o quadro atual de guerras entre os países.

“Estão sentados em torno desta mesa três membros permanentes do Conselho de Segurança e outras nações com tradição na defesa da paz. É o momento de devolver o protagonismo à ONU. É preciso que o Secretário-Geral lidere um grupo representativo de países comprometidos com a paz na tarefa de restituir à organização a prerrogativa de ser a casa do entendimento e do diálogo”, disse Lula em Kananaskis, no Canadá.

O G7 é composto por sete das maiores economias industrializadas do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além da União Europeia. Desse grupo, Estados Unidos, Reino Unido e França compõem o Conselho de Segurança da ONU.

Lula citou os recentes ataques de Israel ao Irã. Sobre o conflito entre Ucrânia e Rússia, o presidente brasileiro disse que nenhum dos lados conseguirá atingir seus objetivos pela via militar. Ele também comentou o conflito na Faixa de Gaza.

Ameaçam fazer do Oriente Médio um único campo de batalha, com consequências globais inestimáveis. Só o diálogo entre as partes pode conduzir a um cessar-fogo e pavimentar o caminho para uma paz duradoura. Nada justifica a matança indiscriminada de milhares de mulheres e crianças e o uso da fome como arma de guerra [em Gaza]”, destacou o Presidente.

SEGURANÇA ENERGÉTICA

Em discurso na Sessão Ampliada do G7, o presidente Lula destacou o papel do Brasil para a segurança energética mundial, mas ressaltou que o País não vai se tornar palco de corridas predatórias e práticas excludentes. “Países em desenvolvimento precisam participar de todas as etapas das cadeias globais de minerais estratégicos, incluindo seu beneficiamento”, defendeu.

O gestor brasileiro disse que a expansão de parques eólicos e solares e a descarbonização do setor de transportes e da agricultura dependem de minerais estratégicos e lembrou que o Brasil conta com a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de níquel, grafita e terras raras e a terceira de manganês e bauxita.

“Mas não repetiremos os erros do passado. Durante séculos, a exploração mineral [no Brasil] gerou riqueza para poucos e deixou rastros de destruição e miséria para muitos. Ela não deve ameaçar biomas como a Amazônia e os fundos marinhos“, alertou o presidente Lula.

Ele citou o papel brasileiro na produção de biocombustíveis, o uso de fontes limpas de energia, a produção do hidrogênio verde e do combustível sustentável de aviação.

RELAÇÕES COM O CANADÁ

Em conversa com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, divulgada nas redes sociais, Lula o parabenizou pela defesa contundente da soberania do país e disse que quer estreitar as relações bilaterais.

“Quero estreitar a relação do Brasil com o Canadá. É um país muito importante, há muitas empresas canadenses no Brasil. Gostaria que tivéssemos uma relação política, cultural e comercial e também na questão do clima muito mais forte. Esse é o meu propósito”, disse Lula.

Mark Carney ressaltou que a COP 30, que será realizada em Belém-PA, será a reunião mais importante deste ano mundialmente e se colocou à disposição para ajudar no que for preciso. “Não há ninguém melhor para liderar esse esforço que você”, disse o primeiro-ministro canadense.

Com informações da Agência Brasil.