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Dois anos de guerra devastaram as crianças de Gaza, diz Unicef

Guerra prolongada deixa mais de 64 mil crianças mortas ou feridas. Unicef denuncia colapso humanitário
Unicef denuncia que as crianças são as maiores vítimas da guerra. Foto: Divulgação/ Unicef

Mais de 700 dias de combates transformaram Gaza em um território devastado. Famílias inteiras foram destruídas, e milhares de crianças perderam a vida ou ficaram feridas.

“A guerra representa uma afronta à nossa humanidade compartilhada“, diz comunicado do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Mesmo com a trégua em vigor, os bombardeios recentes deixaram marcas profundas e o medo ainda domina a população.

Nos últimos dois anos, cerca de 64 mil crianças foram mortas ou mutiladas na Faixa de Gaza. Entre elas, pelo menos mil bebês. O Unicef afirma que o número real pode ser ainda maior, tendo em vista que muitas vítimas seguem desaparecidas sob os escombros ou morreram por doenças que poderiam ser evitadas.

FOME E ESCASSEZ

A fome persiste em toda a região, principalmente no Norte, e avança em direção ao Sul. A desnutrição infantil continua alarmante, com bebês em estado crítico após meses sem alimentação adequada.

Também é necessário levar em consideração que a falta de suprimentos básicos ameaça o crescimento e o desenvolvimento físico das crianças.

CESSAR-FOGO

O cessar-fogo, mediado por Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, começou na sexta-feira (10) e vinha sendo mantido até este domingo (12), segundo agências internacionais. O acordo prevê a liberação de 20 reféns vivos e a entrega dos corpos de 28 pessoas mortas durante o conflito. Em troca, Israel deve libertar cerca de 2 mil presos palestinos.

NEGOCIAÇÕES EM CURSO

Mesmo com o silêncio temporário das armas, as conversas diplomáticas seguem intensas. Representantes tentam resolver impasses sobre quem administrará Gaza após a trégua.

Há propostas para que uma autoridade técnica, supervisionada por organismos internacionais, assuma a reconstrução do território. Israel, porém, rejeita qualquer papel administrativo da Autoridade Palestina, o que mantém as negociações travadas.

Durante o fim de semana, caminhões com suprimentos começaram a entrar em Gaza, levando água, alimentos e remédios. No entanto, as agências humanitárias alertam que o volume ainda é insuficiente diante da dimensão da tragédia. Muitas rotas seguem bloqueadas, e o acesso a áreas mais atingidas continua difícil.

Apesar da trégua, o medo de uma nova escalada permanece. Israel ainda mantém tropas em áreas estratégicas, e o Hamas se recusa a aceitar o desarmamento. Especialistas avaliam que, sem garantias sólidas, o acordo pode ruir a qualquer momento.

PEDIDO DE PAZ

O Unicef voltou a defender o fim definitivo da guerra. A organização reforça que qualquer solução deve priorizar um cessar-fogo duradouro, a libertação dos reféns e o envio rápido e seguro de ajuda humanitária. “Cada criança morta é uma perda que não pode ser substituída. Por elas, esta guerra precisa acabar agora“, afirmou a instituição.