Os altos salários pagos a executivos de grandes empresas, como a rede social X e a Tesla, de Elon Musk, foram alvo de críticas do Papa Leão XIV em entrevista divulgada pelo Vaticano no domingo (14). Ele aponta o dedo para “o crescente abismo entre a renda da classe trabalhadora e a dos ricos”.
“CEOs que sessenta anos atrás talvez ganhassem de quatro a seis vezes mais que os operários, segundo os últimos dados que vi, ganham 6.600 vezes mais que um operário médio”, disse. “O que isso significa e sobre o que estamos falando? Se esta é a única coisa que tem valor, então estamos em um grande problema”, disse, referindo-se à possibilidade de Musk se tornar o primeiro trilionário do mundo, marca estimada para 2027.
O CEO da Tesla pode receber um pacote salarial de US$ 1 trilhão nos próximos anos, equivalente à cerca de R$ 5,3 trilhões.
Os trechos foram publicados pelos jornais americano Crux e peruano El Comercio. A entrevista foi concedida à jornalista Elise Ann Allen para o livro “León XIV: ciudadano del mundo, misionero del siglo XXI”, que será lançado em 18 de setembro.
POLARIZAÇÃO
O assunto surgiu quando o Papa foi questionado sobre a polarização global e seus impactos na Igreja Católica. “Vivemos em tempos em que polarização parece ser uma das palavras do dia, mas não está ajudando ninguém. Ou, se está ajudando alguém, são pouquíssimos, enquanto todos os outros estão sofrendo”, destacou.
Leão XIV também apontou outros fatores que aumentaram as divergências entre extremos ideológicos, citando a pandemia e o crescimento das diferenças de renda como contribuintes importantes.
ESFORÇO PELA PAZ
Em outros trechos da entrevista, o Papa comentou sobre o papel do Vaticano na defesa da paz. Questionado sobre a guerra na Ucrânia, ele recordou os apelos lançados nos últimos meses.
“Depois destes anos de mortes inúteis de ambos os lados – neste conflito em particular, mas também em outros conflitos – acredito que as pessoas devem de alguma forma ser despertadas para dizer que existe outra via para resolver a questão”, afirmou.
Sobre a proposta do Vaticano como mediador, com a possibilidade de sediar mesas de negociação entre Rússia e Ucrânia, Leão XIV destacou que “desde que a guerra começou, a Santa Sé tem feito grandes esforços para manter uma posição verdadeiramente neutra”.
O pontífice também criticou a Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que a instituição tem falhado em unir esforços em questões multilaterais. “Em teoria, as Nações Unidas deveriam ser o lugar onde muitas dessas questões são abordadas. Infelizmente, parece ser geralmente reconhecido que a ONU, pelo menos neste momento, perdeu sua capacidade de reunir as pessoas em questões multilaterais”.
O Papa demonstrou, apesar de tudo, esperança na resolução pacífica do conflito.
