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Cardeal italiano condenado pelo tribunal do Vaticano renuncia ao Conclave

Ainda em setembro de 2020, Papa Francisco o demitiu do Dicastério das Causas dos Santos e retirou seus direitos como cardeal, após suspeitas de envolvimento em operações financeiras irregulares, em 2023 ele foi condenado a 5 anos e meio de prisão
Em dezembro de 2023, o cardeal foi condenado a cinco anos e meio de prisão pelo tribunal do Vaticano, tornando-se o mais alto representante da Igreja Católica já julgado e condenado por crimes financeiros pelo próprio Vaticano. Foto: Tiziana FABI / AFP

O cardeal Giovanni Angelo Becciu não participará do Conclave para a eleição do novo Papa. A decisão, a portas fechadas, terá início na quarta-feira (7). Em setembro de 2020, Papa Francisco o demitiu de seu cargo no Dicastério das Causas dos Santos e retirou seus direitos como cardeal, após suspeitas de envolvimento em operações financeiras irregulares. A decisão foi tomada pessoalmente pelo Papa.

O Papa permitiu que Becciu mantivesse seu título eclesiástico e seu apartamento no Vaticano, mas o privou do que o Vaticano disse, na época, serem “os direitos associados ao cardinalato”. Becciu foi acusado de desvio e má gestão de fundos da Secretaria de Estado do Vaticano, incluindo investimentos financeiros obscuros e uso indevido de recursos da Igreja.

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Na última semana o religioso causou polêmica ao participar das cerimônias fúnebres do Papa Francisco. Em relação ao Conclave, que inicia em maio, o cardeal italiano destacou que seguirá as ordens do Papa, mas reitera inocência no caso em que foi condenado.

“Tendo em mente o bem da Igreja, que servi e continuarei a servir com fidelidade e amor, bem como contribuir à comunhão e à serenidade do Conclave, decidi obedecer, como sempre fiz, à vontade do Papa Francisco de não entrar em Conclave, permanecendo convencido de minha inocência”, destacou Becciu

Já em dezembro de 2023, o cardeal foi condenado a cinco anos e meio de prisão pelo tribunal do Vaticano, tornando-se o mais alto representante da Igreja Católica já julgado e condenado por crimes financeiros pelo próprio Vaticano. Angelo Becciu sempre negou as acusações, alegando que suas ações foram autorizadas dentro das normas da Santa Sé e motivadas por interesses legítimos da Igreja.

Ele também afirmou que os fundos enviados a projetos ligados à sua família tinham fins humanitários e não envolviam enriquecimento pessoal. Sua defesa sustentou que não houve dolo nem má-fé em suas decisões financeiras. Segundo as investigações, em 2014, o Vaticano gastou mais de US$ 200 milhões, que deveriam ser destinados para caridade, na aquisição de um imóvel de luxo. O acordo foi assinado por Becciu, que atuava como chefe de gabinete do próprio papa.

CONCLAVE

Com a proclamação da “Extra omnes”, expressão em latim que marca o fechamento da chave da Capela Sistina, será iniciado o Conclave, na próxima quarta-feira (7). A data da cerimônia foi definida na manhã de segunda-feira (28) pelos cerca de 180 cardeais presentes (pouco mais de 100 eleitores). Eles se reuniram na Congregação Geral no Vaticano.

A “Extra omnes”, ou “Fora todos”, em português, exige que todos os que não são admitidos na reunião dos cardeais convocados para eleger o próximo pontífice da Igreja devam se retirar da igreja. Os purpurados eleitores, com menos de 80 anos, ficarão isolados do resto do mundo dentro da Capela Sistina até a fumaça branca e o “Habemus Papam”. A expressão latina pronunciada da Loggia delle Benedizioni pelo cardeal protodiácono marca o anúncio ao mundo da escolha do novo Papa.