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21 de julho de 2024

Muito obrigada, Alice

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Arquivo pessoal

Só de sacanagem vou abrir meu coração. Não, eu não venho lá do Sertão, mas venho do meio do mato. Do Mato Grosso do Sul. E, só de sacanagem, vou contar um causo daqueles! Eu sonhava em ser mãe e desde muito nova sabia que seria. E que seria mãe de menina.

Hoje, tenho pra tudo que é gosto, tem menina e menino, mas de primeiro foi ela, a primogênita Alice, quem entrou em minha vida. Me casei jovem, meio (ou totalmente) descabeçada. Não sabia cuidar nem de mim, quem dirá de uma casa. As coisas iam andando e às vezes faltava entrega, respeito, luta, carinho e, claro, dinheiro.

Mas, para além disso tudo, algo me dizia aos berros em meu peito que o que faltava mesmo era a tal da maturidade. Ah bicha besta essa tal maturidade! No meio de toda a bagunça, eu, perdida em meus desejos e vontades, me vi querendo ser mãe. Sabe aquela vontade que bate? Acredito nela.

Só que junto com a vontade bateu também um desespero. Como cuidar bem de uma alma humana e um corpinho tão pequenininho sem a tal maturidade? Dava não. Comecei então a me descabelar em busca do que me faltava. Estudo, reflexão, meditação? Tentei buscar de todo jeito lá dentro de mim uma boa Lara. E não é que encontrei um pedaço?

Agarrei nele com força e segui. Eu estava decidida! Pedi a Deus assim: faz aí o que preciso for para me tornar uma pessoa melhor. E, quando a gente pede e sai la do fundo do coração, minha amiga, acontece! Foi perrengue atrás de perrengue na escada do amadurecimento até que um dia, em uma tarde qualquer, o resultado do POSITIVO chegou.

Eu estava grávida da minha primeira menina. Chorei tanto, mas tanto! Mas me lembro como hoje que chorava era de felicidade! Eu estava preparada. Fiz um embrulho bonito com alguns itens de bebê para o meu amado e ali nascia aquilo que nos faltava. Alice chegou e nos livrou de nós mesmos.

Agora, éramos de verdade dois seres humanos lutando, vivendo e existindo. Eu estou te contando tudo isso hoje só de sacanagem! Quero te inspirar a sair de si. E a gente só sai de si para viver o melhor dessa vida quando enxergamos, servimos e amamos um outro alguém. Obrigada, Alice.

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