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24 de julho de 2024

Mineração no Ceará está mais para risco ou investimento?

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Responsável por 0,16% do PIB do Ceará, mineração divide opiniões sobre riscos e benefícios. Especialistas falam sobre os impactos econômicos e ambientais

Giovana Brito
ESPECIAL PARA OPINIÃO CE
giovana.brito@opiniaoce.com.br

Governo do Estado anunciou recentemente estudos voltados para a área (Foto: Divulgação)

O Ceará é o terceiro estado que mais exporta rochas do Brasil. O carro chefe são as rochas ornamentais, que tem como finalidade a estética de lugares como fachadas, mesas, pisos, colunas, entre outros locais que possuam alguma função decorativa.

Além disso, a extração de minerais no Ceará vem se destacando pela sua grande variedade de minérios. Ainda assim, o Estado tem um percentual pequeno de apenas 0,16% de atividade extrativa mineral. Segundo Wandemberg Almeida, Economista e Conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE) a atividade tem um perfil positivo pro cenário econômico.

“Economicamente é muito vantajoso. É muito positivo para nossa economia. Principalmente quando a gente pensa levando em consideração as questões estratégicas do nosso estado do Ceará para exportação dessa matéria-prima, dessas rochas ornamentais. Estamos em um estado bem localizado. Chegamos rapidamente à Europa, aos Estados Unidos e à África. Temos portos que possuem uma facilidade de fazer esse transporte, essa questão de logística. Então, tem uma jazida também bem diversificada, em relação a essas rochas.”

O economista Vicente Férrer destaca que o investimento neste setor, para o Ceará, já vem ocorrendo por parte do governo estadual. Há minério cearense em vários municípios: urânio e fosfato em Santa Quitéria; ferro em Sobral, Quiterianópolis e Tauá; cobre em Viçosa do Ceará; e calcário em várias áreas, principalmente na Chapada do Apodi e em Santa Quitéria. Férrer destaca a produção de granito, uma das principais rochas encontradas no solo cearense.

“O governo do Estado investiu na Companhia Cearense e nós tivemos aí um boom com respeito às rochas ornamentais, com referência também a parte de gemas, a parte de produtos oriundos e minérios. E isso foi muito importante porque nós tivemos uma uma força muito grande na pauta de exportação. O granito ganhou o mundo, concorremos com o Espírito Santo e mostramos para o mundo todo que o nosso granito é viável economicamente e hoje é encontrado na Europa e nos Estados Unidos”, disse o especialista.

O acordo de cooperação com o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) foi assinado pelo Governo do Estado na última sexta-feira (6).

SETOR GEOECONÔMICO
A iniciativa é um incentivo para o campo de pesquisa setor geoeconômico da região e consolida a atuação do Ceará no setor mineral. Durante 12 meses serão analisadas as potencialidades dos minerais cearenses, identificando os depósitos de minério em todo o Estado. No Ceará, existem 10 empresas de mineração ligadas ao setor de mármore e granito e elas estão vinculadas ao Porto do Pecém, dentro da Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE).

A atividade extrativista é uma das grandes responsáveis pela atual configuração da sociedade em que vivemos, visto que diversos produtos e recursos utilizados por nós são provenientes dessa atividade, como computadores, cosméticos, estradas, estruturas metálicas, entre outros. Assim, é possível dizer que a mineração tem relação direta com o desenvolvimento socioeconômico. Contudo, a atividade mineradora é responsável por diversos problemas provocados no meio ambiente.

“Temos sim um impacto ambiental, temos esse risco de acidente e de poluição das águas, questões de moradores nas proximidades que acabam sendo atingidos por conta da produção da extração desses minérios. Então, todos esses fatores acabam influenciando negativamente. Mas com um bom direcionamento, com bons investimentos, com atualização de seus maquinários, a gente consegue produzir muito mais nesse nosso setor mineral para poder fortalecer essa cadeia. E também para poder realmente reduzir esquadros que fazem com que a população ali não corra algum tipo de risco”, complementou Almeida.

O processo de mineração envolve as atividades de pesquisa, extração, transporte, processamento, transformação mineral e comercialização do produto final. Realizar esse processo pode gerar alto custo de mão de obra. Wandemberg comentou em entrevista que os bons relatórios técnicos antes da extração, e para que os impactos para a população sejam reduzidos, é necessário fazer um aporte financeiro alto.

“Tem sim que aportar, tem sim que fazer bons grandes investimentos, aportar grandes recursos para que a gente consiga continuar obtendo valores positivos para economia. Gerando empregos, melhorando na estação, na introdução de novos maquinários.” Vicente Ferrer também ressalta a importância de que o processo de mineração ocorra dentro das regularidades da lei e seja incentivado. “É importantíssimo que haja uma política econômica voltada para o subsolo cearense e principalmente para o setor de rochas ornamentais”, disse.

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