Pesquisadores do Museu de História Natural do Ceará (MHNCE), ligado à Universidade Estadual do Ceará (Uece), identificaram duas novas espécies de morcegos no Estado. A descoberta eleva para 55 o número de espécies conhecidas no Ceará e reforça a importância da pesquisa científica na área da biodiversidade.
O trabalho, publicado em artigo assinado pela bióloga Nádia Cavalcante, da equipe de Mastozoologia do MHNCE, revela os primeiros registros dos morcegos Myotis ruber e Molossus pretiosus em território cearense. As espécies foram encontradas nos municípios de Guaramiranga e Pacoti, no Maciço de Baturité.
MORCEGO AVERMELHADO
O Myotis ruber, também chamado de morcego-borboleta-avermelhado, foi capturado vivo em uma área de Mata Atlântica, no Sítio Nova Olinda, em Guaramiranga. A pelagem marrom-avermelhada do animal chamou a atenção dos cientistas, por ser diferente dos tons normalmente observados em espécies locais.
Já o Molossus pretiosus foi identificado a partir de um exemplar encontrado morto no campus experimental da Uece, em Pacoti. A confirmação exigiu análises detalhadas feitas em laboratório, com apoio de especialistas e uso de métodos genéticos e morfológicos.
PESQUISA MULTIDISCIPLINAR
A coleta dos dados contou com a colaboração de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Museu Nacional. A equipe utilizou redes de neblina armadas ao entardecer, inspecionadas periodicamente durante a noite. Após a coleta, os exemplares foram levados para análise em laboratório.
O Myotis ruber é classificado como quase ameaçado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à perda de seu habitat. Já o Molossus pretiosus possui ampla distribuição no País e apresenta maior tolerância a ambientes alterados, sendo considerado de baixo risco. Ambas as espécies se alimentam de insetos e ajudam no controle de pragas agrícolas, exercendo papel importante no equilíbrio ecológico.
PRESERVAÇÃO E CONVIVÊNCIA
Para Nádia Cavalcante, a descoberta evidencia a importância dos ecossistemas serranos e da continuidade de estudos sobre a fauna cearense. Ela lembra que, embora morcegos sejam alvo de desinformação, esses animais têm função ecológica essencial e não devem ser perseguidos.
A orientação, em caso de encontro com morcegos, é não tocá-los e acionar equipes especializadas, como a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) de Fortaleza, responsáveis por avaliar situações de risco sanitário e manejo adequado.
