Menu

Expedição submarina cria proposta de área de proteção para corais entre Ceará e Fernando de Noronha

Expedição mais recente registrou imagens inéditas de cinco bancos localizados na cadeia próxima dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte
Foto: Divulgação/UFPE

No último mês de abril, um grupo de pesquisadores registrou imagens inéditas de cinco bancos de corais equatoriais na cadeia litorânea próxima ao Ceará e ao Rio Grande do Norte. Desde 2016, expedições vêm sendo realizadas para mapear a área que funciona como um oásis para a vida marinha no Oceano Atlântico equatorial. Para a preservação das espécies, foi proposto para o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) marinha com mais de 12 milhões de hectares.

“Abrimos o processo para a criação da APA no ano passado. Fizemos uma nota técnica com as expedições anteriores e complementamos os estudos técnicos com essa nova expedição, para dar mais subsídios à criação da unidade”, explica o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), Leonardo Messias.

Na área, os cientistas descobriram uma imensa colônia de corais-de-fogo Millepora alcicornis, localizada em profundidade que varia de 43 a 50 metros, no banco Leste da cadeia. Esse foi não apenas o primeiro registro da espécie em local tão fundo, como é possivelmente a maior população da espécie no Brasil. Além disso, nesses bancos também foram registradas populações dos corais Mussismilia hartii, espécie considerada em risco de extinção, e Meandria brasiliensis, que, segundo o pesquisador da UFPE Mauro Maida, coordenador da expedição, é cada vez mais rara no litoral brasileiro.

Segundo Maida, além das espécies marinhas foram encontrados restos de apetrechos de pesca. “Esses bancos são muito pescados, por décadas. É assustador, nos bancos perto do Ceará, como se vê muito pouco predador de topo. Fizemos horas e horas de gravações em vídeo e não se vê uma garoupa”, explica. Há ainda o risco de exploração petrolífera nesses bancos. Blocos do setor SPOT-AP2, no Rio Grande do Norte, estão incluídos na Oferta Permanente de Concessão (OPC) da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Por isso, a criação da APA entrou no grupo de prioridades em meio a mais de 200 propostas de criação de unidades de conservação que tramitam no ICMBio há alguns anos. A proposta da APA dos bancos de corais do Norte e Fernando de Noronha deverá contar com áreas onde a pesca será mais restritiva: dois bancos no Norte e dois em Fernando de Noronha.

“Os montes oceânicos são reconhecidos internacionalmente como ecossistemas biologicamente e ecologicamente significantes. São oásis no meio do oceano. Mas eles são frágeis”, ressalta Mauro Maida. “A ideia é ter áreas que produzam os peixes [que se deslocarão para outras áreas onde poderão ser pescados]. Quanto mais proteção a gente tiver aqui, mais sustentável vai se tornar a pescaria”, diz Messias.

Com informações da Agência Brasil.