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21 de julho de 2024

Mauro Carmélio defende CPI da Manipulação no Futebol: ‘não é culpa das casas de apostas’

Uma das preocupações do presidente da FCF é que o futebol, esporte mais popular do Brasil, perca a credibilidade
Mauro Carmélio, presidente da FCF. Foto: Pedro Chaves/ FCF

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Além dos casos racismo, homofobia e xenofobia nos estádios de futebol no mundo todo, outra grande preocupação é a manipulação de resultados nas partidas dos campeonatos oficiais chancelados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e federações estaduais. O presidente da Federação Cearense de Futebol (FCF), Mauro Carmélio, ressalta que o assunto “dói” muito, visto que a credibilidade do futebol está em risco. “Tenho medo que o futebol perca a credibilidade”, afirmou.

Mauro Carmélio falou sobre a manipulação de resultados à jornalista Kézya Diniz, apresentadora do programa Conexão Assembleia, exibido na Rádio FM Assembleia nesta segunda-feira, 29. O presidente salientou que o crime precisa ser muito bem investigado, como já está sendo feito pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da Operação Penalidade Máxima, que resultou na instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação no Futebol, semana passada.

O presidente da FCF lembrou que aproximadamente seis anos atrás, chegou cedo ao Estádio Presidente Vargas (PV) e viu dois gandulas, cada um deles com uma maquineta de apostas, e teve curiosidade de saber o que era aquilo. Um dos rapazes explicou e até perguntou se Mauro Carmélio que apostar. Ele disse que tinha noção de aquela modalidade de aposta não tinha regulamentação. “Disse a eles que não queria mais vê-los com aquelas maquinetas no estádio”, revelou.

“Confesso que há seis anos, quando vi gandulas com maquininhas de apostas nas mãos, já não gostei. E aí fui vendo essas empresas patrocinando os campeonatos e times, todo um mercado ganhando força, mas sem qualquer regulamentação. E agora estamos vendo a CPI investigando essa manipulação, o que, na minha opinião, não é culpa das casas de apostas, pois elas se prejudicam com a interferência nos resultados. E me refiro aqui às empresas registradas, pois essas clandestinas só vêm manchando o nosso futebol, e minha preocupação é essa: a credibilidade do futebol brasileiro”, opinou.

Ele acrescentou que a situação mudou muito, e para pior, pois atualmente as apostas não levam mais em conta somente os resultados, mas outras coisas são apostadas, como o primeiro, escanteios, cartões vermelhos e amarelos, qual jogador receberá cartão, número da camisa, entre outras coisas.

Para o dirigente da FCF, as empresas de apostas também são prejudicadas e exemplifica mostrando que isso acontece quando a empresa tem de transferir valores muito altos aos ganhadores e que foi a partir daí que começaram a surgir as suspeitas. Mauro Carmélio defende a regulamentação das apostas, como já ocorre com as canceladas pela Caixa Econômica Federal (CEF). “Essas manipulações não são exclusivas das séries A e B do Campeonato Brasileiro, acontecem nos campeonatos estaduais, inclusive nas categorias de base”, reforçou.

Na opinião de Mauro Carmélio, a paralisação do Campeonato Brasileiro, em todas as divisões, não é a solução para o problema, pois só acarretaria prejuízo para clubes e federações. Ele lembrou quando os campeonatos foram suspensos, em 2020, por causa da pandemia.

“O cenário era outro, mas é só pra ilustrar como é difícil interromper uma competição em andamento”, destacou. Ele tem certeza que a CPI vai mostrar a realidade da manipulação e que as empresas de apostas, legalizadas, também são prejudicadas, principalmente porque muitas delas patrocinam times e entidades desportivas, incluindo CBF e a própria FCF. Lembrou ainda que os deputados federais cearenses André Figueiredo (PDT) e Danilo Forte (União) falaram com ele e garantiram trabalhar no sentido de identificar e punir todos os envolvidos.

Sobre o envolvimento de jogadores a FCF e o Sindicato dos Atletas Profissionais trabalham juntos para que os jogadores entendam a situação e não se envolvam nessa atividade criminosa. “Muitos jogadores não sabiam que isso é ilegal”, frisou.

CPI

Instalada na semana passada, a CPI da Manipulação no Futebol promove audiência nesta terça-feira, 30, para debater a Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás (MPGO). As investigações começaram no fim do ano passado, depois de denúncia do presidente do Vila Nova, e já resultaram em algumas prisões preventivas. “A Operação Penalidade Máxima é o novo marco no combate à manipulação de resultados e ao esquema de apostas no futebol brasileiro”, diz o deputado Danilo Forte (União-CE), autor de dois requerimentos para a realização da audiência pública.

Também apresentaram requerimentos os deputados Ricardo Ayres (Republicanos-TO), Márcio Marinho (Republicanos-BA), Fred Costa (Patriota-MG), Albuquerque (Republicanos-RR) e Beto Pereira (PSDB-MS). A audiência pública será aberta às 14h30, no Anexo II, Plenário 9 e foram convidados o procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Cyro Terra Peres; o promotor de Justiça do MPGO Fernando Cesconetto; e o presidente do Vila Nova Futebol Clube, Hugo Jorge Bravo.

*Reportagem de Fernando Barbosa.

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