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14 de julho de 2024

Lula e a intimidade com os papas

Lula tem grande intimidade com os papas. Por duas vezes, quando sindicalista, encontrou-se com João Paulo II e, como presidente, duas vezes com o Papa Bento XVI
Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Lula, a primeira-dama Janja da Silva e uma pequena comitiva, encontraram-se, quarta, dia 21, com o Papa Francisco, ex-cardeal de Buenos Aires, já conhecido do ex-sindicalista. Lula tem grande intimidade com os papas. Por duas vezes, quando sindicalista, encontrou-se com João Paulo II e, como presidente, duas vezes com o Papa Bento XVI. Em 2020, após dezenove meses na prisão de Curitiba, Lula foi recebido por Francisco.

Com a visita, o dirigente brasileiro quer ter o apoio do Sumo Pontífice na campanha mundial contra a fome, a proteção da Amazônia e do meio-ambiente. Como proposta para a guerra da Ucrânia tem um plano de paz “com a criação de um grupo de países que facilitem o entendimento e uma possível paz entre Kiev e Moscou”.

Para Francisco, Lula será o cara para convencer o presidente russo, Vladimir Putin a recebê-lo e, assim, viabilizar o seu plano de cessar-fogo imediato. Estranho né! Na mesma Itália, em 2021, no encontro de líderes do G20, Bolsonaro não teve sequer uma audiência com o papa. No entanto, Francisco recebeu por mais de uma vez o líder do MST, João Pedro Stedile. Em 2014, por exemplo, “O encontro mereceu matéria de primeira página nos jornais italianos, e, por aqui, a mídia nacional desconheceu ou ignorou tais encontros”.

Além do Papa, Lula também foi recebido pelo presidente Sergio Mattarella, o prefeito de Roma Roberto Gualtieri e a primeira-ministra Georgia Meloni, apesar de ter poucas afinidades políticas, por representar um partido de extrema-direita. Ideologias partidárias à parte, “no encontro, a ministra quer ter o apoio do Brasil à candidatura da Itália para sediar a Expo 2030 e, em troca, apoiará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul”.

Na contramão do encontro antiguerra, os EUA, União Europeia e o Reino Unido prometeram disponibilizar bilhões para fortalecer a Ucrânia. “A guerra não é um filme de Hollywood que muitos esperam resultados imediatos, não é bem assim. A contraofensiva ucraniana está mais lenta do que o desejado”, desabafou Zelensky. De forma realista, Putin ironizou: “As forças militares da Ucrânia já entenderam que não têm nenhuma chance de avançar”. Após as conversas sobre a paz no mundo, o Papa presenteou Lula com uma placa com a frase: “A paz é uma flor frágil”. Lula devolveu a gentileza presenteando-o com uma gravura do artista pernambucano J. Borges, uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré de Belém e o convite para Francisco acompanhar o Círio de Nazaré em outubro em Belém.

O sonho multipolar de Lula de que países e grupos tenham voz, — tem espaço nesse mundo que “A paz é uma flor frágil”?

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