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Fake news de Nikolas Ferreira atrapalhou combate à lavagem bilionária do PCC

Mentiras do parlamentar mineiro de extrema-direita sobre suposta taxação do Pix dificultaram fiscalização de fintechs; instrução normativa restaurará regras de reporte financeiro
Nikolas Ferreira (PL-MG) segundo a PF, atrapalhou investigações devido às mentiras publicadas nas redes sociais. Foto: Pablo Valadares/ Câmara dos Deputados

Mentiras sobre uma suposta taxação do Pix divulgadas no início do ano complicaram a identificação de transações fraudulentas. A megaoperação da Polícia Federal (PF), em parceria com o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal, desbaratou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro usado pelo PCC nesta quinta-feira (28).

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizou com um vídeo que atingiu mais de 200 milhões de visualizações, alegando que uma norma iria taxar o Pix. Na realidade, a regra apenas buscava ampliar a supervisão das movimentações financeiras em fintechs, mas acabou revogada após a desinformação e a crise política gerada pelo conteúdo falso.

De acordo com Andrea Costa Chaves, subsecretária de fiscalização da Receita Federal, o crime organizado aproveitou brechas na regulamentação. A ausência de envio de dados das fintechs à Receita no início de 2025 reduziu a visibilidade sobre fluxos financeiros irregulares. “Mais de 200 instituições permaneceram fora do alcance da fiscalização, impactando diretamente o combate a esquemas criminosos”, afirmou durante a operação Carbono Oculto.

A norma revogada fazia parte da atualização do sistema e-Financeira, que concentra informações sobre movimentações financeiras acima de certos valores. A proposta exigia que transações superiores a R$ 5 mil de pessoas físicas e R$ 15 mil de empresas fossem notificadas à Receita, inclusive quando realizadas por fintechs. Na época, Nikolas questionou a revogação com a pergunta: “Se era fake news, por que revogou?”.

Após os resultados da operação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a publicação de uma instrução normativa nesta sexta-feira (29). O objetivo é restabelecer a obrigação de reporte das fintechs, alinhando-as aos bancos tradicionais e permitindo que novas fraudes financeiras sejam identificadas e combatidas rapidamente.