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Ex-coordenador de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal confirma ações para barrar eleitores de Lula em 2022

Até o dia 2 de junho, serão ouvidas 82 testemunhas indicadas pela acusação e as defesas dos acusados. Após os depoimentos, Jair Bolsonaro e os demais réus serão convocados para o interrogatório. A data ainda não foi definida
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasl

O ex-coordenador de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Adiel Pereira Alcântara, confirmou, nesta segunda-feira (19), a realização de ações de policiamento direcionado para barrar o trânsito de eleitores petistas durante o segundo turno das eleições de 2022.

Adiel Alcântara foi ouvido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como testemunha de acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e mais sete denunciados.

Segundo o ex-coordenador, houve ordens de ex-diretores da PRF para as blitzes de policiamento direcionado e cobrança para que ônibus fossem parados pelos policiais. Ele também disse que parte do efetivo da PRF não concordava com o vínculo criado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Estavam criando uma polícia de governo, e não de EstadoGrande parte do efetivo não via com bons olhos esse vínculo com a imagem do ex-presidente. Ele [Bolsonaro] participava de motociatas com motocicletas da PRF e postava mensagens das apreensões da PRF”, relatou Adiel Alcântara.

RELATÓRIOS

O agente de inteligência Clebson Ferreira de Paula Vieira também prestou depoimento. Ele trabalhou no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na gestão do ex-ministro Anderson Torres.

Clebson Vieira foi responsável pela produção de relatórios de inteligência para embasar as operações da PRF. Segundo ele, a pesquisa foi solicitada por Marília Alencar, secretária da inteligência do MJSP, e denunciada pela trama golpista.

Ao ministro Alexandre de Moraes, durante o depoimento, Clebson Vieira disse que ficou apavorado ao tomar conhecimento que os levantamentos eram feitos para embasar as blitzes ilegais. O depoente também confirmou que foram realizadas operações em cidades sem relevância de fluxo de trânsito.

“À época, eu fiquei apavorado porque uma habilidade técnica foi utilizada para uma tomada de decisão ilegal. O que aconteceu no segundo turno, eu sabia que ia acontecer. Por raciocínio, não por provas”, contou Clebson Vieira.

DEPOIMENTOS

Até o dia 2 de junho, serão ouvidas 82 testemunhas indicadas pela acusação e as defesas dos acusados. Após os depoimentos, Jair Bolsonaro e os demais réus serão convocados para o interrogatório. A data ainda não foi definida.

A expectativa é de que o julgamento que vai decidir pela condenação ou absolvição do ex-presidente e dos demais réus ocorra neste ano. Eles respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

NÚCLEO 1

Os oito réus compõem o chamado núcleo crucial do golpe, o Núcleo 1, e tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. O grupo é formado por Jair Bolsonaro, ex-presidente da República; Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022; Augusto Heleno, general, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário da Segurança do Distrito Federal;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; Mauro Cid, tenente-coronel do Exército, delator e ex-ajudante de Ordens de Bolsonaro.

Com informações da Agência Brasil.