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Justiça condena três réus por crimes de tráfico de animais silvestres, associação criminosa e lavagem de dinheiro

De acordo com a denúncia do Ministério Público, acatada pela Justiça, os três condenados integravam uma quadrilha de traficantes de animais silvestres com forte atuação no Ceará
Os animais apreendidos com os réus foram tratados por equipes do Ibama e devolvidos à natureza. Foto: Divulgação/ Ascom MPCE

Dois homens e uma mulher foram condenados pelo juiz da 18ª Vara Criminal de Fortaleza, que tem competência exclusiva para processar e julgar crimes ambientais. O casal Francisco Moreira Garcez e Maria Natália Nascimento Sousa e Lincoln Rocha Mendes foram denunciados pelo Ministério Público (MPCE), por meio da 97ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, pelos crimes de tráfico de animais silvestres, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, acatada pela Justiça, os três condenados integravam uma quadrilha de traficantes de animais silvestres com forte atuação no Ceará.

A ação penal foi ajuizada pelo promotor de Justiça Marcus Vinícius Amorim de Oliveira. Segundo o MPCE, Francisco Moreira Garcez, é um dos líderes do grupo. Ele foi condenado a 5 anos e 4 meses de reclusão por associação criminosa e lavagem de dinheiro; e a 1 ano, 3 meses e 22 dias de detenção, por tráfico de animais, em regime fechado e sem direito de recorrer em liberdade, além de multa. O réu está preso preventivamente.

Maria Natália Nascimento Sousa e Lincoln Rocha Mendes são apontados como parceiros de Francisco Garcez no tráfico e na lavagem de dinheiro. A sentença também determinou o confisco de dois automóveis.

Em uma das operações realizadas na casa de Francisco Moreira Garcez, foram resgatadas dezenas de animais silvestres, como marrecas de coleira, marrecas viuvinhas, papagaios, araras-vermelhas, pássaros primavera e emas. A ação policial teve autorização judicial e foi desencadeada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), com acompanhamento do MPCE.

Todos os animais foram encaminhados para reabilitação e reintrodução na natureza com apoio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Pró-Silvestre (IPS).

Na visão do promotor de Justiça Marcus Amorim, trata-se de uma sentença de fundamental importância.

“Pelo que sabemos, no âmbito da Justiça Estadual, esta é a primeira condenação em que se vinculou o tráfico de animais silvestres a dois outros crimes: associação criminosa e lavagem de dinheiro. Isto eleva o trabalho de repressão ao tráfico a um novo patamar”, destacou o representante do Ministério Público estadual.

A condenação dos três traficantes de animais faz parte da Operação Fauna Livre, uma parceria entre a DPMa e o MPCE e que já rendeu a sua inclusão no Banco de Boas Práticas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).