A deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) estava a bordo do barco Grande Blu quando foi abordada por forças israelenses na noite desta quarta-feira (1º). A missão pretende levar ajuda humanitária à população de Gaza. Outras embarcações da frota, incluindo a que transportava a ativista Greta Thunberg e brasileiros, também foram interceptadas.
Segundo a Flotilha Global Sumud, todos os passageiros a bordo não sofreram ferimentos.
Todos os tripulantes encontram-se incomunicáveis. A Global Sumud Flotilla informou que uma equipe jurídica da ONG Adalah, na Palestina, está disponível para prestar apoio imediato. “O navio Flórida foi deliberadamente abalroado no mar. Yulara, Meteque e outros foram alvos de canhões de água”, disse a Flotilha Global Sumud em um post no Telegram.
Cerca de 20 embarcações não identificadas foram vistas se aproximando da flotilha no início desta noite da quarta-feira, segundo diversas pessoas a bordo, enquanto os passageiros vestiam coletes salva-vidas e se preparavam para uma tomada de controle.
“Nossas embarcações estão sendo interceptadas ilegalmente. As câmeras estão off-line e as embarcações foram abordadas por militares. Estamos trabalhando ativamente para confirmar a segurança e o status de todos os participantes a bordo”, informafram os organizadores da flotilna em um post na rede social X (antigo Twitter).
BANCADA CEARENSE REAGE
A Bancada Federal do Ceará emitiu uma nota oficial manifestando solidariedade integral a Luizianne Lins. Diante do caso, os parlamentares cearenses iniciaram uma série de articulações políticas e diplomáticas para assegurar a libertação da colega.
O coordenador da bancada, deputado Domingos Neto (PSD), já apresentou o caso ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Conforme a nota, ambas as autoridades se comprometeram a tratar diretamente do assunto com o Presidente da República.
“Reafirmamos nosso compromisso em acompanhar de perto o caso e envidar todos os esforços necessários, junto às autoridades competentes, ao Itamaraty e ao Governo Federal, a fim de garantir a defesa dos direitos da parlamentar e sua imediata libertação“, disse Domingos Neto.

REAÇÕES INTERNACIONAIS
Organizações internacionais consideram a ação uma violação do Direito Internacional. Governos de diversos países, como Austrália e Turquia, expressaram preocupação com a segurança dos cidadãos a bordo e classificaram a abordagem como grave.
Em nota, a Anistia Internacional no Brasil diz que a captura das embarcações é ilegal.
“Nenhuma regra do Direito Internacional autoriza ataques a embarcações em livre navegação em águas internacionais. A missão da flotilha é pacífica, humanitária e legal“, diz trecho do documento.
A entidade, na nota, também cobra dos países que seja garantida a passagem segura da flotilha até a chegada a Gaza para a entrega dos itens de ajuda humanitária.
A flotilha reúne mais de 50 embarcações e cerca de 500 ativistas de diferentes países. A iniciativa busca romper o bloqueio israelense e entregar suprimentos essenciais à população local.

Autoridades internacionais acompanham o caso de perto, cobrando garantias de segurança e respeito aos direitos dos ativistas detidos. A expectativa é que ações diplomáticas e jurídicas sejam adotadas nas próximas horas.
