A Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte, entidade localizada no Ceará, denunciou, nesta semana, a prática de desmatamento ilegal na Chapada do Apodi. Segundo a entidade, na última segunda-feira, 27 de fevereiro, foi registrada a realização de um ‘grande desmatamento através do uso de correntão’, prática que consiste no uso de correntes acopladas a tratores que intensificam o desmate da vegetação.
Em vídeo publicado nos canais oficiais da instituição, é possível ver o momento em que árvores da vegetação nativa são derrubadas pelas correntes e maquinário.
“O desmatamento com uso de correntão foi realizado na fazenda de uma firma do agronegócio do algodão que atua na região da Chapada do Apodi, no município de Tabuleiro do Norte. Essa mesma firma já se utilizou do correntão em outras ocasiões. Tal firma já foi responsável pelo desmatamento de centenas de hectares de mata nativa de Caatinga”, detalha a Cáritas, em publicação.
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Conforme a entidade, o uso de ‘correntão’ provoca significativos impactos ambientais e ameaça diretamente a flora e a fauna locais.
Em suas redes sociais, o deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Ceará, Renato Roseno (Psol), reforçou a denúncia. “Esta prática tem sido recorrente, há pelo menos dois anos, por uma empresa que atua na produção de algodão na Chapada do Apodi. A situação vem sendo acompanhada por nosso mandato desde 2021, quando esta mesma empresa já havia sido responsável pelo desmatamento de centenas de hectares de mata nativa de caatinga”, disse o parlamentar.
Em dezembro de 2021, ainda segundo Roseno, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) foi acionada. “Após pouco mais de seis meses, voltamos a denunciar esta mesma empresa ao órgão pela prática de ‘correntão’, registrado no dia 7 de junho do ano passado, ao lado da pulverização de agrotóxicos na região, que causou uma grande mortandade de abelhas no dia seguinte. Na época, solicitamos uma nova oportunidade para a realização de fiscalização imediata e a revisão das licenças concedidas”, lembra o deputado.
“Agora, vamos novamente alertar aos órgãos de fiscalização e esperamos que alguma ação imediata seja tomada. A vida na Chapada do Apodi pede socorro!”
O OPINIÃO CE entrou em contato, via e-mail, com a Semace, e aguarda retorno.
