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Hospitais privados poderão abater dívidas em troca de atendimento ao SUS

O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (24) mecanismo para que hospitais privados e filantrópicos possam abater dívidas tributárias com a União em troca de atendimento especializado para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com a iniciativa, unidades de saúde privadas que não possuírem débitos também poderão participar, obtendo créditos tributários que poderão descontar em impostos.

A medida foi anunciada pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda) e tem como objetivo a redução de filas de espera para consultas, exames e cirurgias. A medida faz parte do programa Agora Tem Especialistas, relançado pelo governo no mês passado.

Para o abatimento das dívidas, o teto será de até R$ 2 bilhões por ano. Já o crédito tributário para obter descontos em impostos ficará limitado a R$ 750 milhões. A nova estratégia será formalizada por meio de uma portaria conjunta entre os ministérios da Fazenda e da Saúde.

“Quando a gente pensou esse mecanismo, que começou hoje, muita gente lembra do Prouni [bolsas em faculdades privadas], por ser um mecanismo de aproveitar a estrutura privada, dívidas que não são pagas, dívidas que a União não consegue recuperar e, nesse caso, transformar em consultas, exames, cirurgias, cuidados da saúde da nossa população”, pontuou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

No projeto, uma base de dados unificados de monitoramento sobre os atendimentos por meio desse novo programa será disponibilizado para consulta, unificando informações das redes privada, estadual, municipal e filantrópica. Todos as instituições que aderirem ao programa deverão alimentar o sistema.

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Conforme Haddad, o programa é um conjunto de instrumentos da gestão pública para criar um ambiente que possa ajudar a suprir as necessidades das instituições históricas e centenárias de saúde, que atualmente enfrentam problemas de endividamento.

“Nós estamos falando de 3.537 instituições nessa situação. São entidades que prestam serviços médicos que estão nessa situação, e elas respondem por R$ 34,1 bilhões em dívidas inscritas, um valor muito considerável de recursos. E nem sempre você consegue cobrar”, destacou o ministro da Fazenda.

Os primeiros atendimentos nesse formato devem ocorrer a partir de agosto. As áreas prioritárias definidas pelo governo são: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, chegando a cerca de 1,3 mil tipos diferentes de cirurgias.

Já as instituições interessadas na iniciativa deverão fazer a adesão no Ministério da Fazenda, para o programa de transação tributária. Enquanto o Ministério da Saúde irá aprovar a oferta, demanda e distribuição apresentada. A pasta também vai controlar e avaliar a execução dos atendimentos e conceder um certificado para obtenção do crédito tributário.

Com informações da Agência Brasil.