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17 de julho de 2024

Homenagem ao ódio e ao racismo

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Na coluna passada, tratamos das homenagens que os fortalezenses prestam ao fascista Gustavo Barroso, líder do movimento integralista – apesar da relevância intelectual, tendo até presidido a Academia Brasileira de Letras (ABL) – que flertou nos anos 1930 e 1940 com o nazismo de Hitler. Antissemita até a medula, Barroso dá nome a uma rua, uma escola e uma praça de Fortaleza. Até o hino da cidade tem letra escrita por ele.

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É um lapso lastimável dos poderes públicos o fato de se oferecer tributo à memória de alguém que disseminou ódio e racismo. São dele considerações assim, que, sem exagero, ser comparam a violências proferidas atualmente contra negros, mulheres, LGBTQIA+ e outros grupos: “O Brasil não passa de uma colônia de judeus verozes, que são misteriosamente auxiliados nas suas negociatas e empreitadas por individualidades das altas esferas nacionais.”

Outro “galinha verde”
Gustavo Barroso não é o único alvo de questionáveis reverências. O aprazível bairro fortalezense do Lago Jacarey tem a rua Plínio Salgado – há quem a situe no bairro vizinho, o Cambeba. Paulista, Plínio Salgado (1895-1975) fundou a Ação Integralista, misto de milícia e ajuntamento político que se notabilizou por inclinações ditatoriais e por renitentes tentativas de golpear a democracia.”

Por que parou?
Em 19 de outubro de 2017, a vereadora Larissa Gaspar (PT) apresentou na Câmara Municipal projeto propondo veda em Fortaleza a atribuição “de nomes de violadores de direitos humanos a órgão, prédios, vias, honrarias e bens de qualquer natureza pertencentes à administração pública direta e indireta.” Já se vão quatro anos e meio de gaveta.

Epidemia de violência
A Câmara dos Deputados debateu na semana que se encerra neste sábado (9) a prevenção da violência contra a mulher e do feminicídio. Dados das secretarias de Segurança dos 26 estados e do Distrito Federal indicam no Brasil, em 2020, 1.338 mortes de mulheres pela condição de gênero. Os crimes foram cometidos, na maioria, por companheiros, ex-companheiros ou pretensos companheiros.

Ali e alhures
Embora haja articulações contra a agressão e o assassinato de mulheres, há também esforços para desconsiderar a gravidade da situação. Na Câmara de Fortaleza, por exemplo, a vereadora bolsominion Priscila Costa (PL) é reincidente em busca de desconstruir causas femininas. Na Assembleia Legislativa, o ranço antimulheres cabe aos deputados André Fernandes e Silvana Oliveira (PL) e Luiz Henrique (Republicanos).

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