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23 de julho de 2024

Gravatas modernas, práticas antigas

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A política dentro dos times brasileiros sempre foi protagonista de muitas polêmicas. Ao longo do tempo, “cartolas” se destacaram na história do nosso futebol, como os caricatos Castor de Andrade e Eurico Miranda, que tratavam os respectivos clubes como feudos, seja de suas vaidades ou de interesses eleitoreiros. Esse dirigente de postura mais peculiar ficou um pouco no passado. Hoje, presidentes de clubes andam engravatados, com ares de executivos modernos, mas, muitas vezes, com práticas mais antigas que os charutos cubanos que Eurico tanto apreciava. Na última semana o Flamengo, presidido por Rodolfo Landim, mobilizou o conselho do clube para restringir o alcance dos sócios chamados de Off-Rio, os que moram a mais de 100 km da capital carioca.

O número de sócios fora da cidade do Rio de Janeiro foi limitado a 1000 pessoas, o que foi visto como uma manobra puramente eleitoreira, e que gerou protestos por todo o País. É fato que o Flamengo tem a maior torcida do Brasil e que se vende como time do povo, de alcance nacional. Como pode uma agremiação que se vende como tal alijar da vida social do clube quem mora fora dos limites do Leblon? Politicagem pura. Falando sobre práticas antigas, o jovem presidente do Corinthians, Duílio Monteiro, chegou ao poder falando em sanar as contas do clube e batalhar para quitar a bilionária dívida do Timão.

Ainda no ano passado, após um primeiro semestre difícil em campo, veio com um “pacotão” de reforços ganhando salários milionários. Renato Augusto, William, Giuliano e Roger Guedes. Nenhum ganhando menos de R$ 700 mil. O discurso austero não durou de Duílio não resistiu aos primeiros percalços dentro de campo. O Vasco, que era de Eurico, está tentando vender sua massa praticamente falida a um fundo de investimento. É o sopro de esperança do maltratado Cruzmaltino. Mesmo assim, a oposição, com medo de perder força política, tenta embargar o negócio. Exemplos não faltam do quão apodrecido e entranhado está o status quo dos clubes brasileiros.

É fundamental que os verdadeiros torcedores e amantes do futebol fiquem vigilantes para não permitir que esse tipo de modelo crie metástase. Que os anos 1990 fiquem só no folclore e no imaginário irreverente dos torcedores, mas bem distantes do cotidiano de uma estrutura que precisa, com urgência, romper com os vícios de outrora.

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