Com a chegada do final de ano, muitos trabalhadores recebem aquele dinheirinho extra com vários destinos, seja para reformar sua casa ou mobiliá-la, seja para comprar novas roupas ou fazer um novo corte de cabelo. E quando essa possibilidade surge com um valor mais baixo que o mercado, com produtos com preços estipulados por alguém de dentro do seu ciclo de amigos nas redes sociais, é quase impossível resistir. Uma passada de stories, fotos e preços acessíveis. Dez minutos de conversa e um pix enviado com facilidade. Eis que surge, na realidade, um novo golpe nas redes sociais. Dessa vez, é a clonagem de perfis pessoais com uso inteligência artificial que é capaz de reproduzir a voz da pessoa a partir de vídeos antigos postados pelo próprio perfil que foi clonado.
A jornalista Priscila Baima, do jornal Opinião CE, foi uma das vítimas. Na última quinta-feira (29), Baima entrou em contato com um homem que estava em sua rede social divulgando móveis e eletrodomésticos de uma suposta madrinha que ia se mudar para um apartamento planejado e iria se mudar. Com isso, precisava se desfazer dos móveis. Todos em bom estado e com preços abaixo do que se vê até em seminovos, a jornalista não pensou duas vezes. “Quando eu vi, mostrei para a minha namorada e ela, também feliz com aqueles preços, logo acatou e decidi conversar com a pessoa. Passei um primeiro pix de um valor e depois um de maior valor. Foram quase R$ 1.000 em poucos minutos”, relatou.
O perfil clonado, segundo a jornalista, se recusou a repassar o WhatsApp, e foi quando ela desconfiou. “Eu perguntei para ele: ‘Olha, está rolando muito golpe por aí, preciso de alguma certeza sobre esses valores. Pode me passar seu WhatsApp?’. Foi quando comecei a ficar nervosa e desconfiar mais. Eu só perguntei isso porque um grupo de amigas me alertou quando comentei, feliz, sobre a compra”, disse.
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A repórter insistiu no tom para assegurar que a compra era verídica quando recebeu um áudio com a mesma voz do dono do perfil. “A voz era igual, fui olhar os vídeos da pessoa e tinham vários dele falando de diferentes assuntos. Me tranquilizei mais, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha. Foi quando associei com Inteligência Artificial”, declarou Priscila. A jornalista viu que não estava sendo mais respondida, quando fez imediatamente um Boletim de Ocorrência por Estelionato, ligou para o seu banco, que afirmou, por ligação, que ela poderia ter o retorno parcial ou total num período de 10 dias úteis ou não ter nenhuma devolução e que deve esperar o período sugerido. Já a PagSeguro, plataforma em que o golpista tem cadastro, bloqueou a conta dele.
SAIBA COMO SE PROTEGER
O estelionato virtual que vem crescendo no país é o chamado golpe do robô do Pix. Segundo dados do Serasa, os criminosos divulgam posts em redes sociais, e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens com promoções falsas de móveis e eletrodomésticos. Nessas promoções, a vítima precisa fazer uma quantia mínima de Pix para garantir que o produto será dela a partir do perfil clonado. Conheça o passo a passo de como se proteger:
1 – Use apenas o aplicativo e site do próprio banco
A chave Pix só pode ser acessada na própria conta bancária. Então, sempre utilize esse meio de pagamento no aplicativo ou no site oficial do banco. Desconfie sempre de mensagens recebidas com links para acessar sites e baixar aplicativos de bancos.
2 – Nunca informe a senha da conta ou cartão de crédito
Alguns criminosos pedem, além da chave Pix, a senha da conta bancária ou do cartão de crédito do consumidor para supostamente fazer uma transferência. Mas lembre-se: chave Pix é diferente de senha. Ao fazer um pagamento com Pix o único dado que é preciso informar é a chave – nenhum outro dado pessoal é solicitado.
3 – Não utilize internet pública para o pagamento via Pix
As redes de wi-fi públicas podem ser porta de entrada para criminosos que miram o vazamento de dados pessoais e bancários. Essa entrada é facilitada pela falta de segurança dessas redes públicas, que podem ser infestadas de vírus.
Por isso, sempre que for utilizar o aplicativo ou site do banco para fazer a transferência via Pix, utilize a sua própria rede de internet. De preferência, instale antivírus nos computadores e dispositivos móveis.
4 – Confira se o dinheiro do Pix caiu na conta na mesma hora
Ao receber um pagamento via Pix, esteja com o aplicativo de banco acessível para conferir o extrato na hora da transação ou aguarde a compensação para confirmar.
5 – Atenção aos QR Codes
Uma das formas de realizar o pagamento por Pix é enviando ou recebendo QR Codes, o que elimina a necessidade de inserir uma chave Pix. Por isso, sempre confira os dados da conta de destino que constam logo abaixo do QR Code. Isso evita muitos golpes do Pix, que são enviados por esse tipo de código.
6 – Desconfie sempre de pedidos de Pix por aplicativos de mensagem
Sabe aquela mensagem suspeita do filho ou do amigo que chega de um número estranho no WhatsApp? A foto é a mesma, mas a mensagem é pedindo um valor de Pix? Isso é golpe e ocorre quando o WhatsApp da vítima é clonado. Por isso, não faça a transferência e tente verificar pessoalmente, se possível, se a mensagem é da pessoa ou não.
