Policiais penais e internos da Unidade Prisional Francisco Hélio Viana de Araújo (UP Pacatuba) promoveram, nesta quinta-feira (19), em parceria com o Instituto Vou, a celebração do Dia das Crianças do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), com a entrega de 200 bonecos no estilo amigurumis. A ação beneficente contou com a mão de obra dos internos do projeto Rede Artesã, que realizaram a produção de forma voluntária e a contribuição do Instituto Vou, que doou a matéria-prima para a produção dos brinquedos.
A entrega dos presentes proporcionou momentos inesquecíveis de alegria aos pequenos pacientes, tornando a ocasião mais humanizada e divertida. A ação contou com a presença do secretário executivo de Planejamento e Gestão Interna, Álvaro Maciel; do diretor da UP Pacatuba, Edson Filgueira; das policiais penais idealizadoras da ação, da Direção do Hias, além dos voluntários do Instituto Vou, que se fantasiaram para interagir com as crianças, promovendo um ambiente lúdico e contagiante.
O secretário executivo de Planejamento e Gestão Interna, Álvaro Maciel, enaltece a característica integrativa da ação. “É muito importante, mesmo que de forma indireta, a participação das pessoas privadas de liberdade, pois assim estamos construindo seres humanos melhores. Esse momento está sendo gratificante, não só para os internos e para nós, do sistema prisional, mas principalmente para essas crianças. A ocasião é de alegria e gratidão”, disse.
A diretora do Instituto Vou, Vanessa Queirós, comemora a parceria.
“Essa parceria uniu um mesmo propósito que é levar fé, esperança e amor. E nada melhor do que entregar isso para todos. Tanto para essas crianças e famílias, nesse momento de provação e dor, como também aos internos do sistema prisional, através do artesanato e dos projetos de ressocialização. Na hora da produção dos bonecos, eles também estão tecendo seus sonhos e a esperança dessas crianças. Todos saem ganhando”, destacou Vanessa Queirós.
A diretora geral do Hospital Infantil Albert Sabin, Fábia Linhares, destacou, por sua vez, as parcerias “querem cuidar e transformar a vida dessas crianças”. “Vocês não fazem ideia da grandiosidade desse gesto. A melhor recompensa é ver o sorriso e alegria de cada uma delas nesses momentos”, frisou. A mãe de paciente internada no Hias, Marcilene Martins, se emocionou com a ação. “Já estamos há quase um ano nessa luta e ver, em um momento, a felicidade da minha filha me enche de esperança e alegria. Parabéns pela iniciativa e por tornar o dia dela tão especial com esse presente”, disse.
REDE ARTESÃ
O artesanato é uma das principais atividades desenvolvidas para os internos no sistema prisional do Ceará. Além da perspectiva artística e o retorno financeiro, a prática também contribui para a qualificação, a ocupação, a elevação da autoestima, a projeção de futuro positivo e a remição de pena para as pessoas privadas de liberdade.
O projeto Rede Artesã, desenvolvido pela Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), com apoio das direções das unidades prisionais e policiais penais, vem fortalecendo esse trabalho de forma diferente e possibilitando uma nova realidade aos internos e seus familiares.
Ao todo, são 1.034 internos artesãos em 11 unidades prisionais participando da ação. Além de aprenderem uma nova profissão, recebem o benefício da remição de pena e ajudam na renda familiar, mesmo estando privados de liberdade. Todas as peças produzidas pelos internos são entregues aos familiares para que possam ser comercializados como uma forma de renda extra ou até renda principal para o núcleo familiar dos internos. Além disso, o vínculo familiar é fortalecido devido a presença da família na comercialização e encaminhamento dos insumos.
O crochê é a técnica principal trabalhada pelos internos. Para a produção dos artigos, todo o material usado é fornecido pelos próprios familiares. Os principais materiais utilizados são agulhas, botões, linhas e fios de malha. Por ser um material de fácil acesso, barato e com diversas cores, a confecção tem uma enorme variedade de produtos. Os apenados produzem bolsas, caminho de mesa, tapetes, toalhas de bandeja, redes entre outras peças. Para participar, o interno passa por uma seleção onde a unidade prisional seleciona os candidatos por interesse, habilidade na técnica e condições da família em se responsabilizar pelo fornecimento de material para a produção das peças.
