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Casal realiza sonho da paternidade no Ceará com bebê sendo gerado pela mãe de um dos parceiros

Por meio da fertilização in vitro, gestação está, atualmente, na 18° semana
Foto: Reprodução/Governo do Ceará

O casal cearense Luan Victor Lima, de 30 anos, e Bruno Pinheiro, 31, aguarda o primeiro filho, que está sendo gerado com a ajuda da mãe de Luan, Nágela Almeida, 56, como barriga solidária. Juntos há mais de três anos, os dois médicos se conheceram no Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), na época da residência médica em Infectologia, em 2019. Atualmente, a gravidez está na 18° semana de gestação.

O feito foi possível pois Nágela afirmou sempre ter ciência do desejo de Luan de ser pai e também sempre sonhou em ser avó. Após a realização de inúmeros exames e consultas com médicos, como ginecologistas e endocrinologista, a mulher conseguiu comprovar ao filho que ela poderia ser barriga solidária e gerar o neto. O método utilizado foi a fertilização in vitro. Luan e Bruno buscaram o óvulo de uma doadora anônima e usaram seus próprios espermatozóides. O embrião foi gerado em laboratório e, posteriormente, transferido para o útero de Nágela.

EXPECTATIVAS

Com a expectativa de serem pais de Levi, previsto para nascer em dezembro deste ano, os infectologistas afirmam sentir um misto de “felicidade surreal e medo do novo”.

A notícia causou comoção entre amigos e familiares dos dois médicos. “Foi algo incrível ver que o nosso sonho e a nossa felicidade contagiou a todos, inclusive inspirando outras pessoas”, relata Luan. Segundo o casal, o post do Instagram em que Luan contou a novidade teve 1.360 curtidas e mais de 470 comentários, inclusive de desconhecidos que se alegraram com a história.

A possibilidade de construir uma família é tema de conversa entre os médicos desde o início do relacionamento. Há um ano e meio, essa vontade cresceu ainda mais, e os dois deram início ao processo de adoção de uma criança.

“Participamos de todas as etapas, hoje estamos habilitados e na fila da adoção. Porém, sempre pensávamos na ideia da fertilização, mas esbarrávamos na questão do útero solidário. A paternidade é um grande sonho para nós, somos muito ligados à família, e um filho irá deixar nossa ligação ainda mais forte”, destaca Bruno. O sonho de ser pai é tão grande que eles não pretendem parar por aí. “Estamos na fila da adoção, mas sabemos que não é algo rápido. O Levi terá irmãos!”, projeta Luan.

BARRIGA SOLIDÁRIA NO BRASIL

No Brasil, as regras para Cessão Temporária de Útero estão descritas na Resolução de número 2168/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM). Entre as normas previstas no documento, estão a de que “a doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial” — por isso o nome popular de “barriga solidária” — e a de que “a cedente temporária do útero deve pertencer à família de um dos parceiros em parentesco consanguíneo até o quarto grau”.