O Porto do Pecém chegou, nesta terça-feira, 28, aos 21 anos de história, sendo responsável por mais de 50% de toda a exportação do Ceará. Para além da movimentação geral e de contêineres, o Terminal Portuário – que integra o Complexo do Pecém juntamente com a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a área industrial – é protagonista na transição energética do País por meio da instalação do Hub de Hidrogênio Verde (H2V) no Ceará.
Com movimentação média anual superior a 18 milhões de toneladas nos últimos cinco anos e recorde de movimentação de contêineres em 2022, o Porto do Pecém deve ser modernizado para receber o Hub de Hidrogênio Verde. Somente os três pré-contratos assinados até agora já somam US$ 8 bilhões em investimento.
Para que esses contratos se concretizem e que seja possível operar a exportação de 1 milhão de toneladas de H2V pelo Pecém, será feito um investimento de R$ 2,2 bilhões até 2027. “Essa projeção inclui recursos da CIPP e também das empresas: R$ 1 bilhão desse total deve ser aplicado pelo Complexo, enquanto R$ 1,2 bilhão será desembolsado pelas empresas do setor instaladas no Pecém”, destaca o presidente do Complexo do Pecém, Hugo Figueirêdo.
A estimativa é que as melhorias beneficiem o Complexo do Pecém como um todo, inclusive o projeto da Transnordestina, e não somente os ligados ao H2V. A projeção é de que deve ser criado um corredor de utilidades, por onde vão circular os dutos de amônia, gás natural, hidrogênio e a rede de energia elétrica. “Já as empresas devem construir os dutos, a tancagem desses combustíveis e o terminal para receber a produção e embarcar no Porto do Pecém”, completa Hugo.
O presidente do Complexo explica que, no Porto, dentre as obras que cabem ao Complexo, o píer 2 deve sofrer adaptações para a operação de amônia e hidrogênio verde. Além disso, uma nova subestação deve ser feita para garantir que haja energia suficiente para os eletrolisadores (usinas onde é gerado o H2V).
“É uma oportunidade na história do Ceará, de mudar não só a vida de quem está diretamente envolvido, mas de impulsionar a economia do Estado e impactar, especialmente, os cearenses que mais precisam. O potencial de geração de empregos é estimado em 80 mil vagas nos próximos anos. Estamos muito felizes por tudo o que o Porto do Pecém já contribuiu para o desenvolvimento do Ceará nesses 21 anos e mais ainda pelo papel que o Porto irá desempenhar no futuro, transformando novamente a economia do estado”, completa o presidente do Complexo do Pecém.
RETROSPECTIVA
Em dezembro de 1995, o decreto da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), sancionado pela Lei n.º 12.536 /95, criava a Companhia de Integração Portuária do Ceará (Cearáportos), vinculada à Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra), que seria a responsável pela administração do Terminal Portuário do Pecém e por promover o desenvolvimento econômico do Estado do Ceará.
Somente em 2002, era inaugurado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Em 2018, teve início a parceria com o Porto de Roterdã, na Holanda, que, atualmente, detém 30% do controle do Complexo do Pecém.
A história que teve início com o Porto do Pecém seguiu para transformar a área em um complexo que atraiu o maior investimento da história do Estado: a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), construída em 2008, hoje ArcelorMittal. Em abril deste ano, terá início a obra do segundo maior investimento da história do Ceará: a termelétrica Portocem, com recursos na ordem de R$ 4,7 bilhões e que deve entrar em operação comercial em 2026.
