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Brasil perdeu uma criança por dia para covid entre janeiro e outubro deste ano

Levantamento científico aponta que, até 11 de outubro de 2022, país registrou uma morte por dia entre crianças de seis meses a cinco anos, pela doença. No total, foram 314 óbitos
Foto: Beatriz Boblitz

Levantamento científico aponta que, entre 1° de janeiro e 11 de outubro de 2022, o Brasil registrou uma morte por dia entre crianças de seis meses a cinco anos diagnosticadas com covid-19. No total, foram 314 óbitos nessa faixa etária, no período. Os dados analisados pela equipe do Observa Infância (Fiocruz/Unifase) são os mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e compreendem óbitos em que a doença foi a causa básica e os em que a covid-19 foi registrada como uma das causas associadas.

O Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância) é uma iniciativa de divulgação científica para levar ao conhecimento da sociedade dados e informações sobre a saúde de crianças de até cinco anos. O objetivo é ampliar o acesso à informação qualificada e facilitar a compreensão sobre dados obtidos junto a sistemas de informação nacionais.

As evidências científicas trabalhadas são resultado de investigações desenvolvidas por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), do Centro Arthur de Sá Earp Neto (Unifase), com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Bill e Melinda Gates.

RELAÇÃO DOENÇA E IMUNIZAÇÃO
Em 13 de julho último, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial da vacina Coronavac em crianças de 3 e 4 anos. Dois meses depois, em 16 de setembro, a Pfizer pediátrica foi aprovada pela agência para uso emergencial em bebês e crianças de 6 meses a 4 anos. No entanto, a imunização de crianças contra a covid-19 seguiu avançando.

Segundo dados do Vacinômetro Covid-19, do Ministério da Saúde, analisados pelo Observa Infância em 28 de novembro, apenas 7 de cada 100 crianças de 3 e 4 anos receberam as duas doses da vacina.

Do total de 5,9 milhões de crianças nessa faixa etária, somente 1.083.958 tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19, enquanto 403.858 completaram a imunização com a segunda dose.

“Com vacinas disponíveis, podemos considerar a Covid-19 uma doença imunoprevenível. Isso significa que essas mortes podem ser evitadas com uma política pública de vacinação em massa”, afirma a coordenadora do Observa Infância, Patricia Boccolini.

CONFIANÇA EM VACINAS
Também da Fiocruz, estudo aponta que a maioria dos brasileiros e brasileiras confia na ciência, embora, em tempos de pandemia, a confiança tenha diminuído. Há percepções e atitudes positivas sobre vacinação de modo geral e, em particular, em torno dos imunizantes contra a covid-19, que consideram seguros, eficazes e importantes para proteger a saúde pública e acabar com a pandemia.

Os resultados são da pesquisa Confiança na ciência no Brasil em tempos de pandemia, conduzido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e da Tecnologia (INCT-CPCT), com sede na Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), divulgado no último dia 12.

Os cientistas, especialmente aqueles de universidades e instituições públicas, também têm imagem positiva, sendo percebidos como honestos e responsáveis por um trabalho que beneficia a população, aponta a pesquisa, que teve apoio do CNPq e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Realizado por meio de entrevistas domiciliares, pessoais e individuais, usando a técnica de survey, o estudo aponta ainda que a maioria dos brasileiros acredita que as mudanças climáticas estão acontecendo e têm como causa a ação humana.

Por outro lado, acredita-se que os cientistas permitiram que ideologias políticas influenciassem suas pesquisas sobre o coronavírus durante a pandemia. Mesmo assim, os brasileiros parecem não ter dúvidas sobre os benefícios associados ao desenvolvimento científico.

Apenas uma minoria (3,5%) afirma que a ciência não traz “nenhum benefício” para a humanidade. No total, foram entrevistadas 2.069 pessoas com 16 anos ou mais, entre agosto e outubro deste ano. A margem de erro da pesquisa é de 2,2%, em um intervalo de confiança de 95%.

(Com Agências)

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