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18 de julho de 2024

Fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus é devolvido ao Ceará após quase 30 anos

O fóssil foi levado ilegalmente para a Alemanha e estava no acervo do Museu de História Natural de Karlsruhe
Foto: Divulgação/ Governo do Estado

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Levado ilegalmente da Bacia do Araripe, no Cariri, para a Alemanha há quase 30 anos, o fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus voltou ao Brasil e foi entregue ao Governo do Ceará. A cerimônia de repatriação do fóssil aconteceu na tarde desta segunda-feira, 12, em Brasília, e contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).

Elmano, durante discurso na cerimônia, ressaltou a importância do material para a ciência, principalmente para a que se constrói no Cariri. “Gostaria de destacar de orgulho de toda a comunidade acadêmica do estado do Ceará tem de estar recebendo esse fóssil. [É muito importante] o que representa isso para a história acadêmica não só do povo cearense, mas também para o povo nordestino, para o povo brasileiro, para todos que acreditam na ciência e na pesquisa”, ressaltou o governador.

O fóssil do Ubirajara jubatus, dinossauro datado o período Cretáceo, que viveu há cerca de 110 milhões de anos, foi levado, de forma ilegal, do Ceará, nos anos 1995. Há pelo menos 17 anos a relíquia compunha o acervo do Museu de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha. Agora, em solo brasileiro, fará o caminho de volta ao Cariri, para ser entregue ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (Urca). Antes disso, ele passará por Fortaleza, onde acontecerá uma solenidade de apresentação marcada para esta quarta-feira, 14.

RETORNO DO FÓSSIL

O professor e diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado em Santana do Cariri, Allyson Pinheiro, celebrou o referencial simbólico do retorno do fóssil. “A vinda do Ubirajara jubatus ao Ceará é muito importante, muito significativa. É um símbolo de que os patrimônios dos territórios pertencem aos povos dos territórios. É um símbolo que a ciência tem limites éticos a serem cumpridos”, pontuou o diretor. Além disso, ele também ressaltou que a relevância da medida vai além da ciência, respingando, inclusive, na economia.

O Cariri possui um projeto de desenvolvimento territorial de mudanças das condições socioeconômicas locais através de objetos como o fóssil Ubirajara, que é um patrimônio paleontológico e geológico brasileiro. “Sem dúvida estamos diante de um momento histórico. Um réptil que viveu há 110 milhões de anos, que passou cerca de 30 anos fora, retorna ao seu sítio. Temos muito a comemorar, principalmente o Estado do Ceará, que não tem envidado esforços na área da Ciência, notadamente na Paleontologia, uma vocação do estado”, ressaltou a ministra Luciana Santos. “Volto a destacar que nós temos uma relação longeva, de mais de 50 anos, com a Alemanha, temos muitas agendas em comum, a agenda energética, a de transformação digital, então, hoje, reforçamos essa parceria na área da ciência”, completou o especialista.

DISPUTA DE ANOS

A relíquia, que voltou a território brasileiro no último 4 de junho, foi protagonista, nos últimos anos, de uma disputa internacional pela sua posse. Em 2020, um grupo de pesquisadores alemães publicou um artigo científico no periódico Cretaceus Research com detalhes sobre o fóssil, sua origem e nomeando o mesmo como Ubirajara jubatus. Essa ação levou à mobilização da comunidade científica brasileira e internacional, em especial a de Paleontologia, para a retirada do artigo de circulação e devolução do patrimônio à sua terra de origem.

Ubirajara é a primeira espécie não-aviária de dinossauro encontrada com material semelhante a penas preservado na América Latina, sendo assim considerada um marco na Paleontologia.

A sua importância e história movimentou brasileiros e pessoas de outras nacionalidades, popularizando a hashtag #UbirajaraBelongsToBR nas redes sociais. As negociações para a devolução do material envolveram o Itamaraty, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e a Embaixada da Alemanha, em Brasília. A repatriação só foi possível depois de determinação de autoridades da região de Baden-Württemberg, em julho do ano passado, que apontaram “má conduta científica” na obtenção do fóssil, conforme denúncia do Ministério Público Federal.

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