A Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza apresentou à Prefeitura uma proposta para a adoção de um balão panorâmico como um “novo cartão-postal da cidade” em comemoração aos 300 anos do Município, no dia 13 de abril. A ideia chegou à gestão municipal, que ainda não respondeu se vai acatar o projeto. O Opinião CE conseguiu detalhes do projeto, que promete atrair turistas, mas ainda precisará passar por um longo processo burocrático antes de se concretizar.
O projeto tem investimento estimado entre R$ 12 milhões e R$ 18 milhões. Conforme a proposta, a execução poderá ocorrer por meio de concessão, parceria público-privada (PPP) ou termo de cooperação.
Com receita anual projetada entre R$ 12 milhões e R$ 33 milhões, a iniciativa apresenta potencial de alcançar autossuficiência financeira.
No caso de a Prefeitura acatar a ideia, para ser implementado, o projeto precisaria de pelo menos três licenciamentos para poder entrar em funcionamento. Por parte da própria gestão municipal, seria necessário o aval para o uso do solo e a realização das obras e urbanismo. Com o Corpo de Bombeiros Militares do Estado do Ceará (CBMCE), é preciso garantir a segurança da iniciativa, além da avaliação das rotas e o controle de acesso.
Já em relação ao espaço aéreo e à segurança operacional do balão, seria necessária a obtenção da certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A área também precisa estar autorizada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
O balão
O Opinião CE teve acesso ao documento de apresentação da proposta. A entidade defende que a cidade precisa de um “símbolo permanente”. “O momento é de transformar celebração em infraestrutura urbana duradoura”, afirma.
O equipamento, conforme a ideia da CDL, seria inflado com hélio e ancorado por cabos de aço. Em uma altura operacional de até 150 metros e com capacidade de 30 passageiros por ciclo, o objetivo é permitir uma experiência de observação de Fortaleza em 360°, com vista do Centro e da orla.
A subida, que conforme a CDL seria “suave e segura”, levaria um tempo médio de 6 a 10 minutos.
Os estudos da Câmara dos Dirigentes Lojistas indicam os dois primeiros locais a serem utilizados para o projeto: a Praça da Estação e a Praça José de Alencar.
Conforme a entidade, a escolha pelo Centro leva em consideração alguns pontos elencados pela CDL, como uma área livre adequada, a conexão com o transporte público, a integração com equipamentos culturais e o potencial de ativação comercial.
Para o projeto, também há a ideia de criação de um parque urbano integrado à base do balão, com paisagismo, mobiliário urbano, área de convivência e garantia de acessibilidade universal.
Segundo a CDL, a proposta de um balão panorâmico se dá devido ao equipamento ser um “ícone de visual forte e de fácil reconhecimento internacional”, um “produto turístico operável durante todo o ano” e pelo “alto apelo midiático e promocional” que poderia ser utilizado para campanhas da Prefeitura de Fortaleza.
“Um cartão-postal vivo, que se move com o vento e conta a história da cidade do alto”, afirma a CDL, no documento.
Críticas ao projeto
Na última quarta-feira (4), durante sessão na Câmara de Fortaleza (CMFor), o vereador Marcelo Mendes (PL) utilizou a tribuna para criticar a proposta. O parlamentar afirmou que parece haver “uma desconexão com a realidade” por parte de “certas lideranças”.
Na ocasião, o legislador destacou que, no dia em que falou à tribuna, a plataforma IntegraSUS amanheceu com 23 mil fortalezenses esperando por uma cirurgia e mais de 100 mil esperando por exame de imagem.
“A CDL quer, com a Prefeitura, para comemorar o aniversário da nossa cidade, convencer o prefeito a fazer um balão, para comemorar o aniversário de Fortaleza, esse balão custará a bagatela de R$ 12 milhões”, disse Marcelo.
O vereador sugeriu que os R$ 12 milhões previstos para o projeto sejam arcados com recursos de entidades privadas, e não da Prefeitura. “Não do dinheiro de Fortaleza, do nosso não”, disse ele.
