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Arcebispo de Fortaleza faz apelo contra feminicídio e defende pacto social para enfrentar violência contra mulheres

Arcebispo de Fortaleza relacionou Evangelho do terceiro domingo da Quaresma ao combate à violência de gênero e pediu mobilização da sociedade
Dom Gregório Paixão fez apelo contra o feminicídio durante reflexão do terceiro domingo da Quaresma. Foto: Laércio Peixoto/Arquidiocese de Fortaleza

O arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, fez um apelo público contra o feminicídio ao comentar o Evangelho do terceiro domingo da Quaresma. Em mensagem semanal aos fiéis, o religioso relacionou o encontro de Jesus com a mulher samaritana, narrado no Evangelho de João (Jo 4,5-42), com a necessidade de combater a violência contra as mulheres.

Na reflexão, Dom Gregório afirmou que o diálogo entre Jesus e a samaritana demonstra uma atitude de respeito e valorização da dignidade feminina, rompendo preconceitos e barreiras culturais presentes na sociedade da época.

Segundo o arcebispo, a mensagem do Evangelho confronta diretamente a realidade de violência vivida por muitas mulheres atualmente.

Alerta sobre feminicídio

Durante a mensagem, Dom Gregório também citou um alerta recente do Papa Leão XIV sobre a necessidade de transformar relações marcadas pela dominação e pela violência.

“Quero chamar sua atenção para um assunto importante que diz respeito a todos nós. O Papa recordou recentemente que o Espírito quer transformar também os perigos ocultos que envenenam nossas relações, como a vontade de dominar o outro, atitude que frequentemente desemboca na violência”, afirmou.

Dados sobre violência contra mulheres

O arcebispo também apresentou números que evidenciam a gravidade da situação no País e no Ceará. Segundo ele, 2025 foi o ano mais trágico da história recente do Brasil em relação ao feminicídio, com mais de 1.470 mulheres assassinadas, média de quatro casos por dia.

No Ceará, de acordo com os dados citados na reflexão, 47 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. Somente em fevereiro deste ano, três casos foram registrados no Estado. Para Dom Gregório, a violência contra a mulher contradiz diretamente os ensinamentos cristãos.

“O encontro de Jesus com a samaritana nos ensina que nenhuma mulher pode ser vista como objeto, como posse ou como alguém a ser dominada. Toda mulher é filha amada de Deus e merece respeito, proteção e dignidade”, afirmou.

Convocação à mobilização

Diante do cenário, o arcebispo defendeu a união de diferentes setores da sociedade para enfrentar o problema. “Eu os convido: Igreja, poder público, sociedade civil e todas as pessoas de boa vontade, precisamos fazer um pacto para estancar essa sangria. Não podemos naturalizar a violência”, disse.

Segundo ele, é necessário investir em educação para o respeito, denunciar abusos e promover relações humanas mais saudáveis.

Ao concluir a reflexão quaresmal, Dom Gregório reforçou o convite à conversão pessoal e social, destacando que a espiritualidade da Quaresma deve levar à transformação das relações humanas e à promoção da vida. A mensagem “A Palavra do Pastor”, apresentada pelo arcebispo, é publicada semanalmente no canal da Arquidiocese de Fortaleza no YouTube.