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Corredor Cultural do Benfica promete mudar a dinâmica econômica e cultural de Fortaleza

UFC faz estudo de trânsito para iniciar obra de “Corredor Cultural” entre Benfica e Praça São Pedro
Projeto do Corredor Cultural prevê ligação entre a Reitoria da UFC e a Praia de Iracema, com prioridade para pedestres e paisagismo. Foto: Reprodução/UFC

Obra aguardada por diferentes setores de Fortaleza, o Corredor Cultural vem avançando e promete novos passos nos próximos meses. Nesta semana, o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Custódio Almeida, se reuniu com representantes do Governo do Estado para discutir o projeto, uma intervenção urbanística que pretende ligar a Reitoria da Universidade, no bairro Benfica, ao Polo Cultural São Pedro, na Praia de Iracema. A proposta prevê paisagismo, arborização e prioridade aos pedestres ao longo de uma extensão de cerca de cinco quilômetros.

O Opinião CE teve acesso ao projeto do Corredor Cultural, conversou com técnicos envolvidos e debateu com o poder público a importância da intervenção para os setores cultural, turístico e econômico do Ceará.

A rota também passará pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Inicialmente, como já havia informado o Opinião CE em 2023, a ideia era concluir o trajeto no Dragão do Mar. No entanto, com a posse, por parte da UFC, do terreno onde anteriormente funcionava o Edifício São Pedro, o projeto foi ampliado. No local, onde hoje está instalada a Praça Cultural São Pedro, a Universidade pretende construir o prédio do Centro de Artes, Cultura e Eventos da UFC, que integrará o futuro Campus Iracema da instituição.

Houve também atualização no orçamento da obra, conforme informou ao Opinião CE o professor Newton Becker, arquiteto e urbanista responsável pela coordenação do projeto. A reunião ocorreu no Palácio da Abolição e contou com as presenças do governador Elmano de Freitas (PT), do secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, do chefe de gabinete da Casa Civil, Gabriel Rochinha, e da secretária da Cultura, Luisa Cela (PT). Pela Universidade, além do reitor Custódio Almeida, participou o professor Newton Becker.

Estudo de trânsito

A primeira etapa do projeto será a realização de um estudo de trânsito. A Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), órgão da Prefeitura de Fortaleza, solicitou o levantamento, que está sendo conduzido pela própria UFC. O objetivo é identificar rotas alternativas para veículos, como carros e motocicletas, de forma a evitar transtornos à mobilidade urbana.

Confira o trajeto do Corredor Cultural. Imagem: Hellynara Fernandes/Opinião CE

A equipe técnica da Universidade realiza visitas frequentes a áreas como o Centro da cidade, buscando garantir que as intervenções não prejudiquem o comércio nem outros pontos sensíveis. Segundo o professor Newton Becker, o prazo estimado para a conclusão do estudo de tráfego é de dois a quatro meses – sendo concluído ainda no primeiro semestre de 2026. Após essa etapa, será realizada uma nova reunião entre UFC, Governo do Ceará e Prefeitura de Fortaleza para avaliar os impactos e verificar a necessidade de ajustes no projeto.

O projeto

Em relação às obras, a proposta prevê que, após a análise do impacto viário, as intervenções sejam iniciadas simultaneamente em dois trechos: da Reitoria até a Avenida Domingos Olímpio e da Estação das Artes até o Dragão do Mar.

No trecho entre a Reitoria e a Avenida Domingos Olímpio, que compreende quatro etapas, o orçamento previsto é de R$ 18,05 milhões. Já o trecho que vai da Estação das Artes ao Pavilhão Atlântico, composto por dois segmentos, tem previsão orçamentária de R$ 22,45 milhões. O Pavilhão Atlântico integra o complexo cultural do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Ao longo de todo o percurso, o investimento estimado é de R$ 50,775 milhões. O trecho mais oneroso é o último, entre o Pavilhão Atlântico e o Polo Cultural São Pedro, com custo previsto de R$ 18,9 milhões. Com o Corredor Cultural, a proposta é alargar as calçadas, priorizando o deslocamento de pedestres.

Pavilhão Itinerante deve ter espaço para bicicletas. Foto: Reprodução/UFC
Pavilhão Itinerante deve ter espaço para bicicletas. Foto: Reprodução/UFC

RU e Casa Amarela

Dentro do projeto, o trecho onde estão localizados o Restaurante Universitário (RU) e a Casa Amarela Eusélio Oliveira — equipamento cultural da UFC — receberá intervenções diferenciadas. Nesse segmento, está prevista a utilização de piso intertravado no calçamento, com acabamento voltado à drenagem da água da chuva e arborização em ambos os lados da avenida.

Na ciclovia, o piso será drenante, em concreto na cor vermelha. A proposta inclui o estreitamento da Avenida da Universidade, que passará a contar com apenas uma faixa destinada aos automóveis, conforme indicado nas imagens do projeto.

O orçamento estimado para essa etapa, incluindo jardins, construção e iluminação/fiação, é de R$ 300.650,00. As espécies vegetais previstas são: carnaúba, juazeiro, macaúba, mulungu, flamboyant e catingueira.

Pavilhões itinerantes

Ao longo do trajeto, o projeto também prevê a instalação de pavilhões itinerantes, estruturas móveis que poderão ser utilizadas tanto para sombreamento durante o dia quanto para iluminação à noite. A proposta é que esses equipamentos sejam implantados em áreas com pouca sombra ou iluminação e com grande circulação de estudantes.

Entre os locais destacados estão o Centro de Treinamento e Desenvolvimento (Cetrede), paradas de ônibus do Centro de Humanidades (CH), o Restaurante Universitário (RU) e a entrada da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (Feaac). Os pavilhões também contarão com mapas informativos sobre o Corredor Cultural.

As estruturas serão produzidas com materiais sustentáveis e poderão variar de três a seis módulos, com custos estimados da seguinte forma:

  • Três módulos: R$ 13 mil;
  • Quatro módulos: R$ 14 mil;
  • Cinco módulos: R$ 17,5 mil;
  • Seis módulos: R$ 18,5 mil.
  • Os pavilhões também terão espaço destinado ao estacionamento de bicicletas.

Reitoria

O projeto contempla ainda intervenções no entorno da Reitoria da UFC. O orçamento previsto para essa etapa é de R$ 2.036.400,18. Segundo o projeto, a sede da Universidade é considerada o “elemento central do patrimônio acadêmico e ambiental da instituição” e um “espaço de convivência e contemplação que contribui para o bem-estar da comunidade acadêmica”.

A proposta é transformar o entorno da Reitoria em um modelo de sustentabilidade e inovação, com base nos princípios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Trecho do Restaurante Universitário e da Casa Amarela receberá piso drenante, arborização e redução de faixas para veículos. Foto: Reprodução/UFC

As intervenções incluem a pintura das arquibancadas da Concha Acústica, a construção de módulos do projeto Parada Segura nas paradas de ônibus da Avenida 13 de Maio e a construção ou reforma de cinco jardins.

Entre eles, o Jardim Emblemático, localizado em frente à Reitoria, contará com 13 espécies de plantas, como boldo-miúdo, capim-cidreira, dormideira, xique-xique e babosa. Próximo ao cruzamento da Avenida 13 de Maio com a Avenida da Universidade, será implantado o Jardim dos Paisagistas, com quatro espécies: espada-de-são-jorge, lança-de-são-jorge, espadinha e espadinha-de-são-jorge, além de bancos.

O Jardim das Carnaúbas ocupará dois espaços: entre a Reitoria e a Concha Acústica e na área atualmente utilizada como estacionamento, ao lado da Rua Paulino Nogueira, que continuará exercendo essa função. O Jardim Frontal, já existente, passará por melhorias, com o plantio de novas espécies, e receberá o chamado “Jardim das Esculturas”, com estátuas iluminadas durante a noite e recursos de fotografia tátil, voltados a pessoas com deficiência visual.

Também está prevista a manutenção do Jardim Lateral, localizado à direita da Reitoria, paralelo à Avenida 13 de Maio. Conforme o projeto, todos os jardins passarão por manutenções mensais.

Cultura entusiasmada com o projeto

As secretárias de Cultura do Ceará, Luisa Cela (PT), e de Fortaleza, Helena Barbosa, também comentaram o projeto e o impacto esperado para o setor cultural. Segundo Luisa Cela, a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) está entusiasmada com a iniciativa, construída de forma conjunta com a UFC e acompanhada permanentemente pela pasta.

“Acreditamos que, para o acolhimento dos equipamentos culturais, o bom funcionamento e para a cidade, vai ser um grande presente”, avaliou, lembrando que Fortaleza completa 300 anos em 2026.

Luisa destacou que o projeto já foi apresentado ao governador Elmano de Freitas, que se reuniu com o reitor Custódio Almeida e visitou o Museu de Arte da UFC (Mauc) para acompanhar o estágio de desenvolvimento da proposta. Segundo a secretária, o objetivo é promover uma requalificação semelhante à realizada na Avenida Desembargador Moreira, com ampliação das calçadas.

Entorno da Reitoria da UFC passará por intervenções com foco em sustentabilidade, convivência e inovação urbana. Foto: Reprodução/UFC

Já a secretária municipal da Cultura, Helena Barbosa, ressaltou que, embora a Secultf esteja conduzindo a articulação junto à UFC, sua pasta também tem participado das discussões. Representando a Prefeitura de Fortaleza, ela e sua equipe já estiveram em reuniões com o setor cultural da Universidade e com o reitor, com o objetivo de ampliar o debate e contribuir com a iniciativa.

“O corredor é um sonho antigo de integração da rede de equipamentos culturais. Nossa disposição é compor esse grupo de trabalho para que a gente possa entregar esse grande presente para Fortaleza”, afirmou.

Disseminação da produção cultural

Morador do bairro Benfica desde 2023, o estudante de Jornalismo da UFC Tiago Silva avalia que a região vive a cultura de forma permanente, tanto durante a semana, com a presença dos estudantes, quanto nos fins de semana, com atividades culturais diversas. Livrarias, sebos e apresentações artísticas na Praça da Gentilândia e na Rua João Gentil são exemplos citados pelo estudante. Na avaliação dele, os equipamentos culturais da UFC foram fundamentais para consolidar o Benfica como um “grande polo cultural” da cidade.

“Firmou-se essa identidade artística, de não só produzir conhecimento, mas, sobretudo, produzir cultura. Isso é muito perceptível”, afirmou. Para Tiago, a implantação do Corredor Cultural deve ampliar ainda mais a disseminação da produção cultural, criando um fluxo maior de pessoas de outros bairros e contribuindo para a descentralização da cultura em Fortaleza.