A Catedral Metropolitana de Fortaleza, dedicada a São José, completa nesta segunda-feira (22) 47 anos de inauguração, consolidando-se como um dos principais marcos religiosos, históricos e arquitetônicos do Ceará. Inaugurado em 22 de dezembro de 1978, o templo é referência da Arquidiocese de Fortaleza e símbolo da fé construída ao longo de gerações.
Erguida em estilo gótico romano, também conhecido como gótico moderado, a Catedral possui capacidade para cerca de cinco mil pessoas e chama atenção pela imponência arquitetônica e pela beleza dos vitrais, que retratam a espiritualidade e a tradição católica. A obra levou quase quatro décadas para ser concluída, fruto de um esforço coletivo que envolveu lideranças religiosas, poder público, iniciativa privada e a participação direta do povo.
Construída e demolida: a história da Catedral
A história da atual Catedral tem início com a antiga Sé, construída em 1854 e demolida em 11 de setembro de 1938, após o surgimento de graves rachaduras em sua estrutura voltada para o mar. À época, o Ceará tinha como arcebispo Dom Manuel da Silva Gomes, e os engenheiros consideraram a permanência do prédio um risco.
A pedra fundamental da nova Catedral foi lançada em 15 de agosto de 1939, marcando oficialmente o início da construção do novo templo, projetado pelo engenheiro francês George Mounier, sob a orientação do vigário Monsenhor Luís de Carvalho Rocha. Durante o longo período de obras, a Igreja do Rosário passou a funcionar como Catedral provisória.

Ao longo das décadas, diversas campanhas e comissões foram organizadas para viabilizar financeiramente a construção, entre elas a conhecida Papeleta Amarela, posteriormente revertida para a Santa Casa de Misericórdia. Um dos nomes lembrados nesse processo é o do padre Tito Guedes Cavalcante (in memoriam), cuja atuação discreta e dedicada marcou a história da obra, sempre pautada pelo serviço à Igreja e à comunidade.
A inauguração oficial ocorreu em 22 de dezembro de 1978, sob a condução do então arcebispo Cardeal Dom Aloísio Lorscheider, coroando décadas de perseverança, fé e mobilização coletiva.
Relevância arquitetônica e espaços de espiritualidade
Além de sua relevância arquitetônica, a Catedral Metropolitana abriga importantes espaços de espiritualidade. À esquerda da nave central está a Capela de São José, padroeiro do Ceará e da própria Catedral. À direita, a Capela de Nossa Senhora da Assunção, padroeira de Fortaleza. Próxima ao presbitério, encontra-se a Capela do Santíssimo Sacramento, dedicada à oração e à adoração eucarística.

No centro do presbitério está o altar-mor, trazido de Verona, na Itália, como presente a Dom Delgado, ex-arcebispo da Capital. A Catedral também possui criptas, entre elas a Cripta dos Adolescentes, consagrada por Dom Antônio de Almeida Lustosa à juventude, com altares dedicados a santos que morreram ainda jovens. No altar central, a imagem de Jesus adolescente acolhe os fiéis de braços abertos.
O templo abriga ainda a Capela do Cristo Ressuscitado, onde estão sepultados bispos e padres que serviram à Arquidiocese de Fortaleza, reforçando o caráter histórico e memorial da Catedral.
Ao completar 47 anos, a Catedral Metropolitana de Fortaleza permanece como espaço de fé, memória e comunhão, mantendo viva a missão espiritual e social da Igreja no coração da capital cearense.
