O projeto Comunidades Criativas, realizado pelo Instituto Ecocult e apoiado pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE), pela ONG Velaumar e pelo Hub Cultural Porto Dragão, está em sua terceira edição neste ano. A iniciativa, que oferece formação para 15 artesãs das comunidades do Poço da Draga e da Graviola, no bairro Praia de Iracema, segue até dezembro. O projeto, com periodicidade de duas vezes por semana – às terças e quintas – ensina técnicas de costura, bordado e tecelagem a mulheres entre 30 e 82 anos, para criar peças exclusivas a partir do reuso de resíduos têxteis, como retalhos e fardamentos usados.
Com aulas ministradas por três professoras da área do design e da moda, além de uma mestra artesã, a ação foi dividida em três módulos, cada um com duração de um mês, e oferece um total de 12 horas/aula ao longo dos seus três meses de duração. Confira as etapas:
- Primeira etapa: exercício do bordado livre em algodão e chita, tecido popular no Nordeste, que vem sendo utilizado não só na confecção de roupas, mas também em itens de artesanato e decoração;
- Segunda etapa: participantes aprendem a produzir tapeçaria com talagarça e retalhos;
- Terceira etapa: foco para a costura manual, a modelagem e o acabamento das peças que serão apresentadas à comunidade no final.
PROJETO ALINHADO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
O projeto é alinhado a sete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). São eles: erradicação da pobreza; saúde e bem-estar; igualdade de gênero; consumo e produção responsáveis; trabalho decente e crescimento econômico; redução das desigualdades; e cidades e comunidades sustentáveis.
Segundo a coordenadora criativa do projeto, a pesquisadora Flávia Muluc, grande parte das famílias residentes nas comunidades da Graviola e do Poço da Draga são chefiadas por mulheres, que se dividem entre trabalhos informais e o cuidado dos filhos. “São mães, tias e avós que buscam criar uma nova perspectiva de vida por meio do desenvolvimento de novas habilidades, que garantem além da renda, a renovação da autoestima dessas mulheres, que se fortalecem entre si e por meio da arte e da cultura”, explicou.
“Inserir essas mulheres em atividades criativas dentro de um equipamento cultural também é missão do projeto, uma vez que o público dessa faixa etária historicamente fica à margem das programações culturais“, completa a coordenadora.
De acordo com Pollyana Vieira, coordenadora executiva do projeto, criar oportunidades de trabalho e renda para essas mulheres, por meio da formação e do reuso de materiais têxteis, tem um duplo impacto positivo. “De um lado fortalecemos artesãs das comunidades, de outro exercitamos a economia circular atrelada à indústria da moda. Estamos falando de sustentabilidade nos níveis social, econômico e ambiental”, analisa ela.
DUAS PRIMEIRAS EDIÇÕES
Nas duas últimas edições, em 2021 e 2022, o projeto formou duas turmas, alcançando 35 mulheres das comunidades do bairro. Além das participantes, a iniciativa é idealizada e organizada por uma equipe feminina. Desde o seu surgimento, a iniciativa já contou com seis professoras, que realizaram formações diversas como técnica de crochê e couro plástico, além de noções de mercado, precificação, venda e valoração da hora de trabalho. Foram confeccionadas bolsas, carteiras, artigos para decoração de mesa e acessórios diversos.
