Caio Salgueiro
ESPECIAL PARA OPINIÃO CE
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Árvores de Natal, Papais Noéis, renas, pisca-pisca, trenós, globos de neve e outros adereços decoram a casa de Silvia Helena de Alencar. No entanto, não é apenas mais uma residência que está enfeitada para o período de final de ano. A casa no Centro de Fortaleza conta com mais de mil itens natalinos espalhados por todos os cômodos e uma bela história por trás.
“Fui criada por duas tias-avós. Quando eu era criança, aqui se vivia muito o Natal de verdade, com novenas e cânticos. Porém, quando uma das minhas tias faleceu, a gente perdeu esse hábito. Eu não tinha nem 15 anos. Era tão a cara dela, e a gente perdeu esse elo”, conta a origem.
“Em 1994, a minha outra tia adoeceu, teve um AVC”, completa. A mudança de chave de Silvia, analista tributária de 56 anos, começou quando o marido comprou uma árvore de Natal, enfeites e luzes para decorar a casa. “Ele trouxe para eu me ocupar, pois não saía de dentro do hospital. Então, voltei para casa para arrumá-la e esperar a saída da mamãe, como a chamava, do hospital. Mas ela não saiu mais.”
A funcionária pública federal conta ter se reconectado com a data, começando a arrumar a casa todo ano desde então, comprando itens por onde passava e sempre aumentando. A decoração, anualmente, se renova. Silvia começa os preparativos já no final de setembro para ter a casa inteiramente personalizada antes do Dia de Finados, em 2 de novembro.
UM RESPIRO PARA CRIANÇAS
Anualmente, Silvia leva 350 crianças carentes de uma creche próxima a sua residência para conhecer a casa e se divertir no espaço. “Elas ficam tão encantadas que ficam paralisadas. Uma vez, uma das crianças chegou e disse ‘tia, aqui é o Polo Norte?’. Elas são muito engraçadas.”
Na visitação, Silvia mostra parte dos itens natalinos para as crianças, principalmente os brinquedos. Elas cantam as músicas de Natal que conhecem. Ao final do “tour” pela casa, há um lanche programado.
“Alguns até deixam de comer pois querem levar o lanche para casa e dar aos familiares, mas eu faço mais [lanches] para eles poderem comer e também levar.” No encerramento, as crianças ganham uma “lembrancinha”, com bombons, chocolates, pirulitos e entre outros doces. No entanto, o projeto está parado desde 2020 por conta da pandemia. Ela pretende voltar a convidar as crianças em 2023.
“Os pais não querem trazer no período de férias. Então, preciso das professoras da creche comigo.” Segundo Silvia, amigos e conhecidos procuram-na para conhecer a casa. A dona do espaço pede doações dos visitantes, pois todo ano escolhe uma entidade carente para doar.
“Peço um produto específico para poder doar. Já pedi lençol [para doar] para a Santa Casa de Misericórdia, brinquedos para um orfanato no Bairro Ellery, produtos de limpeza para outra instituição, e assim vou fazendo a minha parte. O que mais me encanta no Natal é compartilhá-lo com outras pessoas. Para mim, isso é o verdadeiro Natal.”
Em dezembro de 2018, a casa de Silvia ganhou repercussão nacional ao ser apresentada no programa É de Casa, da Rede Globo. Na ocasião, a moradora conta que foi “descoberta” por um repórter local que indicou a moradia para o programa global, que queria saber mais sobre a tradição cearense no Natal.
Ao visitarem e conhecerem a história da decoração de Silvia, o rumo da matéria mudou. A intenção inicial era falar sobre o coral do Ceará Natal de Luz, que ocorre na Praça do Ferreira, próxima de casa, também no Centro, mas a história de Silvia e sua casa é que foram noticiadas.
