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Evento aponta realidade urbanística e social de Fortaleza

XV Fórum Adolfo Herbster apresentou em um dia de palestras, por exemplo, dado de total de favelas na Capital mais que triplicou em dez anos, passando de 157 para 509
Foto: Beatriz Boblitz

A 15ª edição do Fórum Adolfo Herbster ocorreu nesta última quinta-feira, 15, no Museu da Indústria, no Centro. O evento contou com palestrantes que debateram o conceito e papel de uma cidade sustentável, bem como projetos em Fortaleza para melhorar a vida urbana de moradores, sobretudo os mais necessitados. A agenda, cujo público foi de 101 pessoas, teve a participação dos secretários de Urbanismo e Meio Ambiente da Capital, Luciana Lôbo (titular da pasta) e Pedro Rocha (secretário executivo).

Ao OPINIÃO CE, Luciana falou da importância do evento. “O Fórum Adolfo Herbster ocorre desde a década de [19]70, e todo ano tem um tema central. Neste ano, a gente optou pelo cidade sustentável, porque realmente é uma pauta que está em voga. Vamos retomar as reuniões presenciais do Plano Diretor no início de 2023 e, sem dúvida, a sustentabilidade nas cidades será uma centralidade das discussões do documento.

Também acerca do Plano Diretor, a secretária afirmou que a licitação da contratação da empresa privada que ficaria responsável foi finalizada e que o contrato está assinado. O plano é uma lei municipal, obrigatória para cidades com mais de 20 mil habitantes, que detalha os caminhos para o crescimento de uma cidade e aponta soluções para problemas comuns aos municípios, como déficit habitacional, desigualdade social, saneamento e proteção ao Meio Ambiente. Por causa ondas de covid-19, afirma a gestão, somente no fim de 2021 foi possível retomar o debate sobre a revisão do documento.

PALESTRAS
A primeira palestra foi ministrada pelo secretário Pedro Rocha. O gestor executivo da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) apresentou dados nacionais e de Fortaleza das áreas mais necessitadas de reparos urbanos estruturais e sociais.

De acordo com as informações apresentadas por Rocha, o número de favelas na Cidade mais que triplicou em dez anos, passando de 157 para 509. Outros número relevante é de que mais de 240 mil domicílios em Fortaleza estão em assentamentos precários. Além disso, o total de pessoas pobres na Capital é superior a 844 mil, sendo que pelo menos 115 mil estão em situação de extrema pobreza, segundo as análises exibidas. O secretário apresentou também o projeto Se Liga na Rede como uma das soluções às adversidades apontadas. [

O programa tem como objetivo impedir que o esgoto de moradias que ainda não estão interligadas à rede vá parar na orla marítima da região, tendo como benefício, por exemplo, possibilitar a melhoria na balneabilidade da orla situada na região oeste de Fortaleza.

A reportagem falou com três pessoas que assistiram às palestras. Felipe Máximo, estudante, estava pela primeira vez no Fórum e decidiu acompanhar por curiosidade. “Estou achando bacana [o evento]. Eu vim muito por curiosidade. Não sou da área da arquitetura e urbanismo, sou das ciências sociais. Vim procurando uma perspectiva mais ampla com relação ao projeto urbano de Fortaleza e questões socioambientais, e tenho encontrado isso”, destacou o estudante. Águeda Ribeiro, arquiteta e urbanista, acompanha o evento desde a década de 1980. “Estou gostando muito [da palestra], de abordagem usada. Há uma mudança de visão, voltada realmente para atender a população mais necessitada da cidade.”

Mirella Maia, também arquiteta e urbanista, esteve pela quarta vez no Fórum Adolfo Herbster. “É um evento extremamente importante. Acho que ele sempre traz pautas muito relevantes para o tema atual que a gente vive, principalmente na palestra do Pedro [Rocha], que foi muito importante para falar sobre a questão social.”

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