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21 de julho de 2024

Fortaleza é a capital do NE que mais registrou óbitos por covid-19

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Considerando período desde o início da pandemia, Capital soma cerca de dez mil óbitos. Uma das razões tem relação com vigilância ostensiva de acompanhamento de dados da Cidade

Giovana Brito
ESPECIAL PARA OPINIÃO CE
giovana.brito@opiniaoce.com.br

Dados de Fortaleza estão na plataforma IntegraSUS. Acima, Hospital Estadual Leonardo da Vinci (HELV) (Foto: Natinho Rodrigues)

Fortaleza é a capital do Nordeste com mais mortes por covid-19 desde o início da pandemia no Brasil, em março de 2020. Até a tarde desta sexta-feira, 4, foram registrados 10.790 óbitos, de acordo com o IntegraSUS.

Em seguida, Salvador com cerca de 8 mil mortes e Recife com 5.942, segundo as respectivas secretarias de saúde das cidades. Segundo o epidemiologista Luciano Pamplona, o resultado tem relação com o sistema de vigilância de óbitos em Fortaleza.

“O Ceará tem um Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) que não tem em outras cidades. Ele funciona articulado com vigilância, laboratório e assistência. Fazemos autópsias verbais em casos de pessoas que morreram em casa, sem assistência, e tudo isso contribui para detectarmos mais óbitos que os outros locais. Fazemos autópsias minimamente invasivas para tentar confirmar casos. Tudo isso contribui.”

A Capital segue na segunda posição no ranking das cidades mais populosas do Nordeste, com 2,7 milhões de pessoas em 1º de julho de 2021, atrás apenas de Salvador (BA), onde o número de habitantes chega a 2,9 milhões. Na sequência aparecem Recife (PE) com 1.661.017. Os dados são da estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2021, a Capital teve cerca de 6 mil mortes registradas e em 2020, 4 mil. Fortaleza registrou em dezembro do ano passado 22 mortes por covid. Já este ano foram contabilizados 42 óbitos até o dia 17 de janeiro. “Tivemos maior número de óbitos, mas, proporcionalmente ao número de casos, foi menor. A vacinação estava começando e morreram exatamente mais aqueles que não tinham o esquema vacinal completo. Além disso, precisamos entender que teremos casos graves que, mesmo vacinando, alguns irão evoluir de forma grave e teremos dificuldade de manejo. Ainda não aprendemos tudo sobre a doença e sobre os impactos de longo prazo”, comenta Luciano Pamplona.

No Ceará, os primeiros 17 dias de janeiro registraram 50% a mais de óbitos pela doença em comparação a todo o mês de dezembro de 2021 no Ceará. Atualmente, o número apresenta queda: em fevereiro último, houve 187 óbitos, enquanto no mês de janeiro foram 433 vidas perdidas. A redução no número de óbitos do Ceará ocorre devido ao avanço da vacinação e da contaminação pela variante Ômicron.

“O fato de grande parte da população com duas doses e dessa cepa circulante causar casos menos graves deve contribuir para que não tenhamos novo pico de óbitos nesse momento”, explica. Das mais de 650 mil mortes no Brasil pela covid-19, 26 mil, aproximadamente, estão no Ceará. Os dados desta reportagem são do IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado.

ÓBITOS NO BRASIL
Os números da pandemia e da vacinação reunidos pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), na última quarta-feira, 2, mostram que o Brasil registrou 370 mortes por covid em 24 horas na semana que se encerra neste sábado (5). Com o acumulado, o País chegou a 650 mil mortes pela doença desde o início da pandemia. O infectologista Gerson Salvador explica causas para o número alarmante que o coloca o Brasil como segundo do Mundo com maior total de de óbitos por covid-19.

“O Brasil errou desde o começo da pandemia. Em primeiro lugar, não fazendo a vigilância de portos e aeroportos. No Brasil, ocorreu a partir de uma leva migratória da Itália, sem nenhum controle por parte das autoridades sanitárias. Em segundo lugar, quando não havia ainda a vacina, o Brasil errou em ter a disputa entre o Governo Federal e os governos estaduais. Ao invés do Governo Federal dar a resposta, ele boicotou a pandemia. Em terceiro lugar, errou também ao assumir a defesa dos tratamentos precoces, como ivermectina e cloroquina. Mais um foi a demora em adquirir a vacina. Não me lembro nem quantos e-mails a Pfizer mandou e foram ignorados. Todos esses erros são de responsabilidade do Governo Federal.”

O Brasil encerrou 2021 com 412.880 mortes por covid-19, dobrando o número de óbitos de 2020 que foi de 194.949, segundo o Our in Data. O mês que registrou mais mortes no último ano foi abril, com 82.266 vítimas da doença. “A gente passou pelo momento mais ‘duro’ em relação a mortes no Brasil no começo de 2021. Certamente, se o Brasil tivesse uma política de combate à covid, com liderança do Governo Federal, com melhor gestão de recursos e a vacinação iniciando algumas semanas antes, muitas dessas mortes seriam evitadas”, completa Gerson.

Em dados mais recentes, a média móvel de óbitos pela doença aparece em 512 – menor número desde 28 de janeiro, quando o índice esteve em 474, resultando em queda quando comparado com o cenário atual. Já a média móvel de casos chegou a 51.039, menor número desde 11 de janeiro deste ano. O resultado se dá com o avanço da vacinação. Dezembro foi o mês com menor número de óbitos registrados: 4.375.

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