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Fortaleza construirá 30 microparques urbanos até 2024 em projeto orçado em R$ 11 mi

Foto: Divulgação/Seuma

Na imensidão da metrópole, com seus 2,6 milhões de habitantes, despontam pontos verdes. São pequenos, mas importantes para as comunidades. Fortaleza conta com dois microparques, o José Leon, na Cidade dos Funcionários, e o Seu Zequinha, na Barra do Ceará. São equipamentos da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), que em breve se multiplicarão pela cidade.

Foi apresentado, na quarta-feira, 22, o projeto dos Microparques de Fortaleza, durante evento online promovido pelo programa de Cooperação Urbana Internacional e Regional (IURC Latin America), da União Europeia (UE). A Capital foi representada pela Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação (Citinova) e pela Seuma. O encontro visou trazer soluções criativas ao acesso a áreas verdes no ambiente urbano. Além dos dois microparques já construídos na cidade, a previsão é de mais 30 até 2024.

A informação foi confirmada com exclusividade ao OPINIÃO CE junto à Prefeitura de Fortaleza.

“Essas parcerias e cooperações internacionais são muito importantes para o desenvolvimento de políticas inovadoras. E essa parceria com a União Europeia, que tem a temática de gestão ambiental, de resíduos sólidos e de economia circular, coloca Fortaleza em contato com outras cidades do mundo que têm boas práticas e nos permite trocar informações técnicas e aprendizados”, afirma Victor Macêdo.

NATUREZA E INFÂNCIA

Camila Girão, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenadora de Desenvolvimento Urbano da Seuma, falou ao OPINIÃO CE sobre o projeto. Ela explica que a diferença entre os microparques e as praças é de que, neles, a natureza tem uma importância maior aproveitada, tanto na forração dos pisos como no mobiliário. Estes espaços têm como grande princípio atender à primeira infância. Os dois já instalados ficam próximos a escolas e creches, servindo também como uma área de complementação e suporte a esses equipamentos escolares.

Foto: Divulgação/Seuma

“Esses dois Microparques foram projetos pilotos, justamente porque a gente queria testar a metodologia, testar para ver se esses elementos, assim, conceituais funcionariam. Eles foram concebidos e executados com muito diálogo com as comunidades, a partir dos anseios dos moradores do entorno. Antes, eram terrenos baldios, foco de despejo de lixo, de violência. Hoje é um espaço que a comunidade usa, mantém, monitora”, afirma a especialista.

“Antes eram ‘não lugares’, e agora são pontos de encontro, são pontos que a população mesmo se apropria, planta, rega, se reúne, brinca. A gente já tem várias evidências de modificação do uso, do pertencimento e da forma de apropriação da comunidade frente ao espaço”, completa Camila.

A arquiteta discorre, ainda, acerca da metodologia do processo de construção dessas unidades urbanas. “Usa-se muito do que está no ambiente, do que a população já faz. Por exemplo, os caminhos que as pessoas já usam para atravessar aquele espaço, a gente mantém; se as pessoas ali já faze uma pequena hortinha, a gente vai manter”, afirmou. “O projeto dos Microparques parte muito desses elementos locais, inclui a natureza de uma maneira mais efetiva e também atende aquelas pretensões que a população, que tá ali na comunidade, imagina e quer das praças padrão, então é uma mistura dentro desses vários elementos”, acrescenta.

ETAPAS DE CONCLUSÃO

Com licitação de R$ 11 milhões, a construção destas 30 unidades vai se proceder em três etapas, com a entrega de dez em cada uma delas.

De acordo com Camila, todas as doze Regionais do município contarão com ao menos um microparque. Os primeiros dez estão em fase de elaboração do projeto. “A gente já passou pela fase de mobilização da população, do porta-a-porta. Fizemos oficinas para levantar as demandas, com as crianças também, com os adotantes do espaço”, declara. “Semana que vem a gente já vai nas comunidades novamente para apresentar o estudo preliminar. Vamos receber os feedbacks das populações nesses dez espaços, para a gente, depois, finalizar o projeto e na próxima etapa fazer a construção”, finaliza.

Segundo a coordenadora, a perspectiva é de que esses primeiros dez espaços tenham suas obras iniciadas em maio. “Depois de entregue os espaços, eles vão passar por um processo de manutenção para um repasse junto com a população durante cinco meses, e depois desse repasse a gente entrega o manual de manutenção para comunidade e aí se mantém ao longo do tempo. Obviamente, a Prefeitura continua mantendo, mas esse espaço de manutenção de cinco meses é para ficar mais junto à comunidade, para fazer esse repasse mais direto”, aponta.