Presidente nacional interino do PDT, o deputado federal cearense André Figueiredo chegou à Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) por volta das 11h30 desta quinta-feira (31). A pauta o trouxe até a casa legislativa era a possibilidade de o PDT ser base da gestão do prefeito eleito Evandro Leitão (PT), a partir de 2025. Questionado pelo OPINIÃO CE, o parlamentar afirmou que o diálogo “começa agora”. Figueiredo, no início do segundo turno, gravou vídeo ao lado de Evandro em que cita os “ideais de Brizola” e que o seu posicionamento de apoiar o petista na ocasião “não poderia ser diferente”. A postagem veio em resposta à adesão de pedetistas à campanha bolsonarista de André Fernandes (PL), adversário do petista no segundo turno do pleito.
Nos bastidores do Legislativo municipal, Figueiredo se reuniu com o presidente Gardel Rolim, um dos filiados que definiu apoio a Fernandes no segundo turno e participou de atos de campanha do candidato bolsonarista. Além dele, outros cinco vereadores eleitos apoiaram a chapa do PL, contra dois, que preferiram apoiar Evandro. O partido fez oito nomes para a Legislatura 2025-2028. As conversas ocorreram até cerca de 13h. Ao fim do encontro, o presidente do PDT Nacional ressaltou que este foi apenas “um primeiro diálogo”.
“Me cabe o papel de fazer essa interlocução entre a bancada atual e a bancada eleita, para que a gente possa discutir com o prefeito eleito. Nós podemos entrar na base do Evandro, é um caminho”, afirmou, otimista com a possibilidade.
Como frisou, o diálogo também envolve a direção municipal do PDT em Fortaleza, presidida pelo ex-prefeito Roberto Cláudio, que mergulhou na campanha de segundo turno de André Fernandes. Figueiredo e RC já conversaram, em um primeiro momento, por telefone, sem tratar sobre a hipótese de ser base ou não. O contato ocorreu para marcar uma reunião presencial sobre o assunto.
DIFERENTES CENÁRIOS: 2022 x 2024
O deputado federal diferencia os cenários deste ano e de 2022, quando PT e PDT romperam e Elmano de Freitas (PT) foi eleito para o Governo no primeiro turno, derrotando, entre outros, o pedetista Roberto Claudio. “Em 2022, não participamos [da campanha] porque não teve segundo turno. Participamos da campanha de Evandro, então, nada mais justo do que dialogar os rumos que queremos para Fortaleza”, completou o parlamentar, que destaca a ideologia do PDT como um dos motivos para estar na base do petista. “Agora, o momento é curar feridas e pensar no futuro”.
Apesar de Figueiredo não falar sobre uma possível saída de RC do PDT, vereadores afirmam existir a possibilidade. Ao OPINIÃO CE, um deles disse crer que o ex-gestor da Capital está sinalizando sua saída. Questionado como seria essa desfiliação, o parlamentar frisou que deve ser tranquila, e que Roberto compreenderia o momento do partido. O senador Cid Gomes (PSB), ex-PDT, também já falou sobre o assunto, definindo a “guinada para a direita” do ex-prefeito como um “caminho sem volta”.
CENÁRIO NA CÂMARA
Dos 43 vereadores eleitos, 23 definiram apoio a Evandro Leitão, enquanto 20 ficaram com André Fernandes. Caso o PDT migre para a base do prefeito eleito, Evandro teria, pelo menos, 29 vereadores, o suficiente para aprovar, por exemplo, um Projeto de Lei Complementar (PLP), que precisa de dois terços da Casa. Outros partidos como PRD (três nomes), Avante (com dois apoiando Evandro e um André) e Podemos (um) tentam levar seus parlamentares para a base.
PP Cell, um dos vereadores filiados ao PDT que declarou apoio ao deputado federal do PL, conversou com o OPINIÃO CE e revelou que há possibilidade de migrar para a base de Evandro. Ele afirmou que vai conversar com o partido e com o prefeito eleito. A definição deve vir até meados de novembro.
Líder do atual prefeito José Sarto (PDT), o pedetista Iraguassu Filho (PDT) também ficou do lado de Evandro no segundo turno. O parlamentar, que não conseguiu se reeleger para um novo mandato, é um dos que acredita que a sigla pode ir para a base. O pedetista afirmou ter conversado com Gardel, que teria compreendido a motivação para que o PDT compusesse com o prefeito petista nos próximos quatro anos.
Segundo Iraguassu, ajustar a base no município ajudaria a levar a legenda também para a base do governador Elmano. Na Assembleia, apesar de boa parte dos ainda filiados, aliados do senador Cid, apoiarem o Governo, existe um movimento para que eles deixem o partido. Quatro deputados estaduais do PDT se posicionam como oposição: Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho.
