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Fiec e Instituto Amazônia lançam “Fundo Caatinga” para soluções sustentáveis no Ceará

Foto: Rodrigo Rodrigues

Em evento com setor produtivo e imprensa, nesta terça-feira (19), em Fortaleza, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em parceria com o Instituto Amazônia +21, lançou a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS) para o bioma Caatinga. A ação supre uma demanda antiga dos estados nordestinos e mira o Fundo Caatinga para capctar recursos e viabilizar projetos de sustentabilidade.

A convite da Fiec, o Opinião CE acompanhou a cerimônia e conversou com as lideranças envolvidas. “Estamos fazendo exatamente isso aqui, é o início”, destacou o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, ao ser questionado pelo Opinião CE sobre o Fundo Caatinga.

“Estamos juntando a sociedade civil, não são os empresários. Estamos juntando a imprensa, as pessoas que trabalham com o meio ambiente e os investidores para discutir como a gente pode cuidar desse bioma, como a gente pode iniciar novos processos dentro das nossas áreas”, destacou o presidente.

A FAIS já está em operação na Amazônia, em parceria com o Instituto Amazônia +21, e se destacando com recursos expressivos a favor do desenvolvimento sustentável. A estratégia Blended Finance (financiamento parcial) permite que organizações com objetivos distintos invistam lado a lado enquanto alcançam suas metas financeiras, de impacto socioambiental ou ambas.

A iniciativa opera por meio de quatro plataformas: investimento, engajamento, assistência técnica e geração de conhecimento, garantindo segurança jurídica e transparência às operações.

“Nessa agenda, o bioma Caatinga tem mais oportunidades que o bioma Amazônia”, destacou Marcelo Tomé, presidente do Instituto Amazônia Mais 21. Cobrindo 10% do território nacional (e mais de 90% do cearense), a Caatinga foi responsável por até 50% da remoção de carbono da atmosfera em anos com maior volume de chuvas, entre 2015 e 2022, segundo estudo da Unesp divulgado recentemente.

A pesquisa destaca o papel do bioma no balanço de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, apontando sua eficácia em capturar CO₂ em comparação com outros biomas.

Conforme Marcelo Tomé, “o Fundo Catalítico Caatinga tem objetivo de desenvolver projetos para destravar volumes financeiros de investimento” e, com isso, “tirar os atravessadores e conseguir levar emprego e renda para quem está no território”. O presidente destacou, em sua fala de apresentação, o potencial do Ceará para esse mercado e a ambiência de negócios e tecnologias já disponíveis no Estado para avançar na agenda.

A secretária do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (Sema) do Ceará, Vilma Freire, representando o governador Elmano de Freitas (PT), destacou a importância da parceria. “A importância de nos agregarmos a um negócio que já existe. A gente tem um potencial enorme para ser explorado aqui no Estado. Temos um negócio que é viável e o Ceará está disponível”.

ESG-FIEC

Há cerca de 4 anos, a Fiec criou o Núcleo ESG-FIEC, que nasceu com o objetivo de fortalecer a atuação da indústria cearense nos pilares da sustentabilidade. Seu principal propósito é apoiar o desenvolvimento de uma cultura empresarial responsável quanto ao uso dos recursos naturais e que seja comprometida com o desenvolvimento do capital humano.

“O Núcleo ESG, que começou com uma empresa, duas, hoje tem mais de 50 indústrias qualificadas dentro do Sistema [Fiec] e mais de 30 qualificações. Então, o objetivo hoje é exatamente esse, fazer com que todos possam ser corresponsáveis pelo bioma onde a gente vive”, frisou Cavalcante.