Após o primeiro mês com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a exportação dos produtos cearenses para o país norte-americano caiu 69% na comparação entre julho e agosto deste ano.
Na comparação com agosto de 2024, houve aumento de 59,7%, já que, no ano passado, não houve exportação de aço para os EUA. Retirando o setor do cálculo, entretanto, houve queda de 49,3% em relação aos US$ 20.838.283 totais vendidos em agosto do ano passado.
Neste agosto de 2025, a exportação para o país norte-americano foi de US$ 52.582.812. O valor é puxado pelo aço, que teve US$ 41.986.019 em vendas. No último julho, o total vendido para os EUA foi de US$ 169.765.863.
A queda de um mês para o outro, aliás, foi seguida também pela siderurgia, isenta do aumento tarifário. Em julho deste ano, o total da venda foi de US$ 140.354.325. A redução foi de 70%.
Confira as principais quedas, em dólar (US$):
- Gorduras, óleos e ceras de origem animal e vegetal: de 5.291.060 para 438.889 (91,7% a menos);
- Frutas, cascas de frutos cítricos e de melões: de 1.170.226 para 124.849 (89,3% a menos);
- Pescado: de 5.291.060 para 1.503.013 (71,5% a menos);
- Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes: de 3.228.652 para 1.078.200 (66,6% a menos);
- Calçado: de 3.856.855 para 2.243.785 (41,8% a menos);
- Preparações de produtos da fruticultura e horticultura: de 3.783.463 para 2.560.045 (32,3% a menos).
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), disponíveis por meio do portal Comexstat, que divulga mensalmente os números de exportação e importação.
Na exportação para todos os países, a queda observada na exportação cearense foi de 46,2%, em que o estado saiu do valor comercializado de US$ 283.095.685 em julho de 2025 para US$ 152.120.694.
SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
Nesta quarta-feira (3), foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) a assinatura de um decreto que coloca o Estado em situação de emergência devido ao tarifaço dos EUA.
O decreto acrescentou um artigo à Lei n.º 19.384, de 7 de agosto de 2025, que implementou medidas com o intuito de mitigar os impactos do aumento da tarifa.
Conforme o Governo Federal, a situação de emergência é mais branda que a de calamidade e pode ser decretada quando “um desastre compromete parcialmente a capacidade de resposta do poder público local”. Com a decretação, será possível ter acesso a recursos federais de maneira facilitada.
“O reconhecimento dessa circunstância excepcional é passo importante para o alcance do referido objetivo”, destaca o texto publicado no DOE.
MEDIDAS CONTRA O TARIFAÇO
No último dia 21 de agosto, o governador assinou o decreto que instituiu as medidas anunciadas pelo Governo com o objetivo de mitigar os efeitos do tarifaço.
As medidas incluem: auxílio financeiro às empresas que exportam para os EUA; compra de produtos das empresas para atender equipamentos do Governo do Ceará; antecipação de pagamento de créditos de exportação; e aumento de incentivos fiscais, com a redução dos encargos financeiros do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI).
Conforme apresentado pelo titular da Secretaria da Fazenda (Sefaz), na ocasião, as iniciativas visam, sobretudo, à manutenção da parceria comercial dos exportadores do Estado com o país norte-americano, nação estratégica na economia mundial. Como explicou, o Governo “não quer que as empresas percam esse negócio”.
O anúncio contou com o apoio do presidente da Federação das Indústrias do Ceará, Ricardo Cavalcante, e do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, que estavam presentes e também assinaram o decreto como testemunhas.
