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24 de julho de 2024

Expectativa de vida no Ceará pode ser menor em razão da covid

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Pesquisa diz que expectativa de vida dos cearenses pode cair em 2,1 anos devido à pandemia. Especialistas analisam o cenário

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Foto: Natinho Rodrigues

Um estudo idealizado pela pesquisadora brasileira Márcia Castro em 2021, com trabalho submetido ao periódico medRxvid, da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, revelou que a expectativa de vida dos cearenses pode cair em 2,1 anos devido à pandemia.

Antes da disseminação do vírus, em 2020, de acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do cearense era de 74,7 anos.

Com o vírus, o número cai para 72 anos, segundo dados da pesquisa. Se comparado com o Brasil, com uma expectativa de vida de 76,8 anos, de acordo com o IBGE, o Ceará fica atrás cerca de quatro anos.

A pesquisa ainda é uma prévia e não foi revisada por outros cientistas para aprovação da publicação. Na prévia do levantamento, o primeiro cenário considera todas as mortes por covid-19 confirmadas em 2020. Já no segundo, são levados em conta todos os óbitos provocados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), ainda que não tenham sido confirmadas como tendo sido provocadas pelo coronavírus.

Nos dois cenários, a estimativa é que a expectativa de vida dos homens cearenses seja menor que a das mulheres, saindo de 70,7 anos (sem covid) para 68,6 anos (depois da covid). As mulheres saem de 78,6 anos (sem covid) para 76,7 (depois da covid). Em relação ao Nordeste, o Ceará é o que deve apresentar a segunda maior queda na expectativa de vida da região, perdendo apenas para Sergipe, cuja estimativa é de 2,2 anos a menos por causa do vírus.

AVALIAÇÃO DE ESPECIALISTAS
Na avaliação do professor, economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, a queda de expectativa de vida acontece em meio a uma situação totalmente atípica: a de pandemia, não só ocorrida no Ceará, mas também no Brasil e no mundo. Para ele, a diferença entre o número nacional e o local não é relevante se avaliada isoladamente.

“A expectativa de vida dos cearenses, assim como no restante do País, vinha numa crescente antes da pandemia em função das melhorias nas atividades econômicas. Condições sanitárias, acesso à água, saneamento e sistemas de educação e saúde, ao longo dos últimos anos, são os fatores primordiais para medir a perspectiva de crescimento da expectativa de vida das pessoas.”

A expectativa de vida é a idade média em que a população de um território pode esperar viver, levando em conta as condições de vida que uma pessoa dispõe durante o nascimento. Os dados mais atualizados sobre a expectativa de vida do Ceará e do Brasil devem ser registrados a partir do Censo 2022 a ser realizado em agosto deste ano, informou o IBGE em nota ao OPINIÃO CE.

Segundo dados da instituição, a expectativa de vida do brasileiro subiu, em 2020, para 76,8 anos, o que representa um aumento de 1,3 anos no período de cinco anos, enquanto que em dez anos teria sido de 3,3 anos. Atualmente o Brasil possui 25% de sua população com pessoas a partir de 50 anos. Paralelamente a isso, dados da PNAD mostram que o desemprego desse público mais velho subiu de 18,5% em 2013 para 40,3% em 2018.

A expectativa é que até 2060 o Brasil possua pessoas mais velhas que jovens, visto que casais estão tendo menos filhos e a expectativa de vida está tendo um crescimento acentuado, apesar da pandemia. No entanto, o mercado de trabalho é o ambiente em que se percebe ser mais comum a prática do etarismo, que diz respeito à discriminação de pessoas por sua idade, baseadas em estereótipos, e que tem impacto principalmente em pessoas mais velhas.

Apesar de muitas empresas já possuírem prática de investimento em diversidade nos seus quadros de funcionários, esse público ainda é impactado pela falta de preparo em recebe-los e estimulá-los a continuar trabalhando.

PIRÂMIDE ETÁRIA
De acordo com o especialista em psicologia organizacional, Marcio Gondim, à reportagem, a pirâmide etária do Brasil está em avançado processo de transformação, apesar da pandemia, e o público mais velho tem que se preparar para viver uma velhice mais ativa.

Em relação ao Ceará, o psicólogo salienta que, mesmo com a redução de expectativa de vida, os cearenses continuarão envelhecendo e isso não representa um impeditivo “para que as gestões de pessoas deixem de absorver as competências e talentos que pessoas com mais experiência de vida podem agregar às instituições. É de grande importância que as qualidades de pessoas mais velhas possam ser plenamente absorvidas pelas instituições no Ceará.”

Coimbra também defende que haverá uma mudança significativa no mercado de trabalho nos próximos anos no Ceará. “Vamos ter uma mudança significativa na pirâmide etária, com mais pessoas acima de 60 anos. É uma tendência de mudança também no mercado de trabalho, como a aceitação de pessoas mais velhas”, conclui o economista.

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