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Estudo inédito da Uece mostra correlação entre fake news sobre vacinação e mortalidade por covid

Foto: Tony Winston/ Ministério da Saúde

Um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) mostra que houve uma correlação entre as fake news sobre a vacinação e a mortalidade por covid no Brasil.

Apesar de outros estudos já apontarem o impacto da desinformação na vacinação, este é o primeiro que estabelece a correlação direta.

Intitulada “Impacto das fake news sobre vacinação na mortalidade por Covid-19: uma análise epidemiológica no Brasil”, a pesquisa analisou dados entre janeiro de 2021 e dezembro de 2022, período em que o mundo passava pela pandemia da doença que dizimou mais de 700 mil brasileiros. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante seu governo, desacreditou do uso da vacina como um imunizante em várias ocasiões.

A jornalista e pesquisadora Adriana Rodrigues, autora da pesquisa, destacou que, nos meses em que mais circularam fake news sobre as vacinas, foram registrados mais óbitos pela doença. Como acrescentou ela, à medida que a desinformação diminuiu, as mortes também diminuíram.

“É claro que a questão vacinal não é provocada exclusivamente pela desinformação, no entanto, o estudo mostra que a propagação de notícias falsas pode comprometer a decisão da população contra a vacinação, agravando casos clínicos e levando, inclusive, à morte”, frisou.

Atualmente, o Brasil enfrenta baixa adesão à vacina contra a gripe, com apenas 41% do público prioritário imunizado. “Olhando para o cenário atual, o Brasil enfrenta uma baixa adesão à vacina e, como já circulam fake news, é possível que parte da população esteja mais uma vez acreditando nessas falsas informações”, alertou Adriana.

Coorientador da pesquisa, o professor Thiago Garces ressaltou que é preciso chegar a medidas que sanem esse problema. “O que vamos fazer agora? Esse estudo vem mostrar que não basta ter vacina disponível; se as pessoas não confiam, isso não adianta”, frisou. “Essa confiança vem da informação correta e de fontes seguras”, completou.

“É aí que vão entrar as políticas públicas. Precisamos de ações concretas, campanhas educativas, combate à desinformação nas redes e mais diálogo com a população”, finalizou.