Em pouco mais de uma semana, sete pessoas relacionadas ao futebol do Ceará foram desligadas do clube. Nesta segunda, 2, após a derrota que praticamente sacramentou o fim da possibilidade de acesso à Série A, o ex-diretor de futebol, Albeci Júnior, anunciou sua saída do Alvinegro de Porangabuçu.
O dirigente, que participou ativamente da construção do elenco para o ano de 2023, anunciou a sua desligação do Vozão por meio de um texto. “Foram dez meses de dedicação total ao time e muita renúncia. Recebemos um time vivenciando a maior turbulência dos últimos anos. Sabia, desde o início, que seria um trabalho árduo”, apontou o dirigente.
“Com minhas mais sinceras desculpas e completa indignação por não ter entregue aos meus amigos e a todos os torcedores do Vozão a equipe na zona de classificação para a Série A, me despeço do cargo de diretor de futebol com muito pesar”, escreveu Albeci.
OUTRAS DEMISSÕES
Além dele, outros dois dirigentes já haviam deixado o clube. Cristiano Ibiapina, ex-supervisor de futebol, e Juliano Camargo, ex-executivo de futebol, foram demitidos pelo presidente João Paulo Silva. Ibiapina estava no clube desde 2017. Anteriormente, havia trabalhando no Ceará entre 2011 e 2015, como preparador físico. Já Juliano havia chegado ao Vozão em novembro de 2022, no lugar de Sérgio Dimas, e, assim como Albeci, foi responsável pela montagem do elenco para 2023.
Além dos dirigentes, o zagueiro Sidnei, o volante Willian Maranhão e o goleiro Christian também encerraram seus contratos com o clube. Os dois primeiros foram demitidos após ato de indisciplina na véspera do jogo contra a Chapecoense/SC, no último dia 22 de setembro. Na ocasião, os atletas não haviam sido relacionados para a partida, permanecendo em Fortaleza. Na Capital, os jogadores foram para uma festa noturna. Enquanto Sidnei participou de apenas duas partidas pelo Alvinegro, Willian Maranhão já chegou a ser titular, principalmente no primeiro semestre do ano. Christian também foi demitido por indisciplina. No entanto, a atitude indisciplinar do arqueiro foi durante a viagem para o confronto contra o Novorizontino/SP, após o jogo em que o Vozão foi derrotado por 4 a 1 no Interior paulista.
As demissões, aliás, não pararam por aí. Também durante a partida contra a Chapecoense, Chrystian Barletta entrou em campo com um uniforme diferente dos demais atletas. Enquanto a camisa de jogo de Barletta mostrava a Zenir como patrocinadora master, o “kit” dos demais jogadores tinha patrocínio da Estrela Bet. O episódio ganhou repercussão, e ocasionou na demissão do roupeiro do clube, André Marcelino.
O MOMENTO DO CEARÁ
Com 42 pontos e na 11ª posição da Série B, as chances de acesso do Ceará à Série A de 2024 são quase nulas. Segundo o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Vozão possui 0,5% de probabilidade de terminar o certame entre os quatro primeiros colocados.
Além do embate que acarretou na demissão de Albeci, o escrete preto-e-branco vem de uma sequência de duas partidas sem vitória. Sob o comando de Vagner Mancini – que assumiu o clube no final de agosto, após demissão de Guto Ferreira -, o Vovô já disputou cinco jogos, mas obteve apenas duas vitórias.
Após a última partida, na coletiva pós-jogo contra o Atlético, Mancini manifestou sua preocupação com o momento atual do clube. “Após tomar o gol, o Ceará foi uma equipe que desmoronou emocionalmente. É óbvio que nós estamos acostumados a ver isso no futebol, mas é uma coisa que chama muita atenção. Eu sinceramente não tenho ainda solução porque eu estou em fase de conhecimento. Não só dentro de campo como fora”, disse Mancini.
