O governador Elmano de Freitas (PT) divulgou, nesta quinta-feira (31), pronunciamento sobre o aumento das tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a exportação brasileira ao país norte-americano. Apesar de cerca de 700 produtos estarem isentos da sobretaxa, setores da economia cearense terão impacto com a imposição das taxas de 50%, que têm início no dia 6 de agosto.
Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Estado, que tem no aço o principal produto para a exportação ao país da América do Norte. O setor da siderurgia, para alívio da economia cearense, foi isento do aumento das taxas e seguirá com as tarifas de 50% que já incidiam sobre as produções.
Dentre as medidas anunciadas pelo chefe do Executivo cearense, estão reuniões individuais com os setores afetados, uma conversa com o consulado da China, com o objetivo de buscar novos mercados à produção cearense, e uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), marcada já para esta sexta-feira (1º de agosto).
O governador afirmou que fará tudo o que estiver ao seu alcance para que a economia “não sofra tantas consequências”.
“O momento é da união de todos nós que queremos o bem do nosso Estado, deixando de lado questões políticas e ideológicas, para que os cearenses e o nosso Ceará não sejam tão prejudicados. Essa é a nossa luta e seguiremos cada vez mais firmes para enfrentar e vencer”, afirmou.
Conforme Elmano, “o absurdo e injustificável” aumento das tarifas fez com que ele tratasse do assunto, em busca de possíveis soluções, diretamente com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Em outra medida anunciada, o chefe do Executivo pontuou que tem reunião marcada com o consulado da China, já com o objetivo de fortalecer um possível novo mercado para os setores da economia cearense.
Ainda como frisou ele, dentre os setores mais atingidos estão o de pescado, da castanha de caju, água de coco, cera de carnaúba, couros e calçados. Com estes, serão realizados encontros individuais, marcados ainda para esta quinta-feira (31).
Nesta quinta, aliás, Elmano já havia anunciado que os peixes e a castanha de caju poderiam ser utilizados para a alimentação de escolas, hospitais e universidades, ou para o programa Ceará Sem Fome, em uma tentativa de escoar a produção cearense.
O governador destacou que, junto ao Governo Federal, estão sendo preparadas “uma série de medidas” em “permanente diálogo com os setores”.
Ele ressaltou que também houve contato com as superintendências da Receita Federal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Ceará e do Porto do Pecém, com o objetivo de agilizar o desembaraço do envio de mercadorias para os Estados Unidos antes do início da cobrança.
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Leia o pronunciamento na íntegra
Cearenses, diante da ameaça à economia e aos empregos do nosso Estado, por conta do absurdo e injustificável aumento de tarifas impostas pelo presidente Trump aos nossos produtos e que atingiu todo o Brasil, informo que venho tratando pessoalmente da questão com o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com quem estarei reunido amanhã, envolvendo ainda o setor produtivo do Ceará e nossa equipe de secretários.
Neste momento difícil, estou ao lado das nossas empresas e dos nossos produtores, do maior ao mais humilde, para minimizar os impactos nos seus negócios e para que os empregos dos cearenses sejam preservados. Para isso, estamos preparando uma série de medidas de apoio em parceria com o Governo Federal e em permanente diálogo com os setores.
Após reunião com nossa Casa Civil, Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado, determinei encontros individuais, ainda hoje, com os setores mais atingidos, como o de pescados, castanha de caju, água de coco, cera de carnaúba, couros e calçados. Queremos ouvir um a um e compartilharmos cada decisão.
Também mantive contato com as superintendências da Receita Federal e do Ibama no Ceará, bem como do nosso Porto, para uma união de forças que possibilite a agilidade no desembaraço do envio de mercadorias para os Estados Unidos, antes do início da cobrança das novas tarifas no próximo dia 6. Além disso, temos reunião marcada com o consulado da China, na busca pelo fortalecimento de novos mercados.
Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que nossos produtores e nossa economia não sofram tantas consequências. Inclusive, estamos estudando a compra de mercadorias, principalmente perecíveis, para serem usadas em programas sociais e equipamentos públicos do Estado, além de medidas econômicas que possam ajudar as empresas, mas mantendo o equilíbrio fiscal do nosso Estado, que é a prioridade absoluta.
O momento é da união de todos nós que queremos o bem do nosso Estado, deixando de lado questões políticas e ideológicas, para que os cearenses e o nosso Ceará não sejam tão prejudicados. Essa é a nossa luta e seguiremos cada vez mais firmes para enfrentar e vencer. Muito obrigado.
