O turismo de eventos movimentou R$ 975 milhões em Fortaleza no ano de 2024. O cenário põe a cidade cearense como um dos principais destinos nacionais para a realização de congressos, feiras e competições esportivas.
Os dados são do Relatório de Impacto Econômico do Turismo de Eventos em Fortaleza, elaborado em parceria entre a Secretaria Municipal do Turismo (Setfor), o Visite Ceará – Convention & Visitors Bureau e a Universidade de Fortaleza (Unifor).
Por meio do estudo, foi analisado o impacto econômico do turismo de eventos em Fortaleza a partir de dados coletados em 15 eventos realizados ao longo de 2024. Foram utilizados questionários estruturados com 1.079 participantes, representando um público estimado de mais de 39.323 pessoas.
Foi possível identificar um total de 2.391 eventos, com 414.652 participantes, realizados em nove diferentes espaços de eventos. Os dados foram obtidos a partir do calendário de eventos do Visite Ceará, responsável pela captação de eventos para a cidade de Fortaleza. Desse total, 63% eram turistas — cerca de 261,2 mil pessoas que vieram a Fortaleza para participar dos eventos.
A pesquisa aponta que o turista de eventos permaneceu, em média, 4,8 dias na cidade e teve um gasto total de R$ 3.732,86. O gasto médio diário ficou em R$ 777,67, sendo a maior parte destinada à hospedagem (38,5%), alimentação (22,8%), compras (15,1%) e entretenimento (13,3%).
Com base na matriz de insumo-produto da economia de Fortaleza, o relatório projeta que os gastos dos turistas impactaram a economia da cidade de maneira expressiva. O Valor Bruto da Produção (VBP) foi de R$ 1,32 bilhão, enquanto o Valor Adicionado Bruto (VAB) — que se aproxima do conceito de Produto Interno Bruto (PIB) — atingiu R$ 753,77 milhões.
A arrecadação tributária total foi de R$ 107,57 milhões e a massa salarial aumentou em R$ 342,73 milhões. Esses efeitos resultaram na criação de aproximadamente 114,2 mil empregos, formais e informais, em diversos setores ligados direta e indiretamente à cadeia turística.
De acordo com Suemy Vasconcelos, diretora-executiva do Visite Ceará, os dados reforçam o turismo de eventos como “um motor estratégico para a economia de Fortaleza”.
“Eles movimentam uma cadeia ampla de serviços, geram emprego e fortalecem a imagem da cidade como destino competitivo”, acrescentou.
Ainda de acordo com ela, a parceria entre setor público, iniciativa privada e academia tem sido “essencial para construir esse ambiente favorável”. “Nós seguimos comprometidos em ampliar essa atuação, conectando oportunidades e promovendo um crescimento sustentável para o setor”, completou.
PERFIL DO TURISTA
A maioria dos participantes dos eventos, conforme o levantamento, era do gênero feminino (59%) e tinha entre 25 e 44 anos (57,6%). A maior parte possuía ensino superior completo (52,5%) ou pós-graduação (20,9%), e 50,8% apresentava renda individual superior a quatro salários mínimos.
Do total, 63,5% se hospedaram em hotéis ou flats e 59,8% chegaram à cidade de avião. O automóvel por aplicativo foi o meio de transporte mais utilizado dentro da capital cearense (63,7%).
A origem dos visitantes foi predominantemente nacional (96,7%), com destaque para as regiões Nordeste (52,5%) e Sudeste (28,8%). As principais cidades emissoras foram São Paulo, Natal, Rio de Janeiro, Recife e São Luís. Apenas 3,3% dos turistas entrevistados eram estrangeiros, com maior presença dos Estados Unidos, Portugal, Argentina e Angola.
AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS
Em relação à avaliação dos serviços da cidade, a sinalização turística (59,8%), a limpeza urbana (67,5%) e as telecomunicações (57,9%) foram os itens de infraestrutura mais bem avaliados.
Já entre os serviços turísticos, os preços praticados (65,7%), o comércio (58,1%) e a hospedagem (53,2%) lideraram a satisfação dos visitantes. A segurança nos eventos foi considerada boa por 48,7% e excelente por 41,2%. Nos atrativos turísticos, 50% avaliaram a segurança como boa e 21,2% como excelente.
Professor do curso de Economia da Unifor, Nicolino Trompieri Neto afirmou que a pesquisa mostra a importância estratégica do segmento para a economia do Estado. “Ao contrário do turista que vem exclusivamente a lazer, o visitante que participa de congressos, feiras e encontros tem um perfil diferenciado. O turista de evento tem, em média, um poder aquisitivo maior do que o turista de lazer, gastando mais em hospedagem, alimentação, transporte e comércio”, destacou.
Outro destaque foi a permanência estendida no destino. Metade dos turistas permaneceu além do período dos eventos, e 76% declararam que o lazer foi a principal motivação para a extensão da estadia. Entre os que visitaram outros destinos no Ceará, os mais citados foram Jericoacoara, Beberibe e Canoa Quebrada.
